Recivil
Blog

Recivil abre VIII Congresso dos Registradores Civis de Minas Gerais com defesa enfática da valorização institucional

Abertura do evento reuniu autoridades, registradores e especialistas em Belo Horizonte e destacou o papel estratégico do Registro Civil para políticas públicas, segurança jurídica e modernização do Estado brasileiro

 

 

 

O VIII Congresso dos Registradores Civis de Minas Gerais foi oficialmente aberto na noite desta sexta-feira (05.12), em Belo Horizonte, em uma solenidade marcada pela defesa da cidadania, pelo reconhecimento do papel social do Registro Civil e pela afirmação da necessidade de valorização econômica e institucional da atividade em Minas e no Brasil. Promovido pelo Sindicato dos Oficiais de Registro Civil das Pessoas Naturais de Minas Gerais (Recivil), o evento recebeu autoridades estaduais, municipais e nacionais, além de registradores de todas as regiões do Estado.

Em seu discurso inaugural, o presidente do Recivil, Genilson Gomes, colocou no centro do debate a valorização concreta do Registro Civil, a necessidade de sustentabilidade das serventias e a urgência de que o Poder Público reconheça, na prática, aquilo que tanto discursam. “É exaustivo conviver em um ambiente permeado por hipocrisia e injustiças. Tudo que envolve o Registro Civil encontra resistência para ser cumprido”, afirmou, diante de uma plateia que lotou o auditório do hotel Mercure, no bairro de Lourdes.

Genilson destacou que, embora o discurso político e jurídico costume enaltecer o papel essencial do Registro Civil para a cidadania e para o Estado, esse reconhecimento não se traduz, no dia a dia, em condições dignas para os oficiais que mantêm as serventias abertas—muitas delas em pequenas localidades, garantindo o acesso do cidadão ao primeiro direito fundamental: a identidade. “O Registro Civil é importante sempre que é conveniente para seus algozes e oportunistas”, disse, criticando o uso da atividade apenas para finalidades de marketing social ou como peça retórica quando interessa a outras especialidades.

A fala ganhou força ao abordar a desigualdade estrutural que afeta o Registro Civil em Minas Gerais. Segundo o presidente, o Estado ocupa uma das piores posições do país em renda mínima para a atividade, situação que compromete a permanência de titulares, a qualidade dos serviços e a continuidade das unidades em regiões vulneráveis. “A renda mínima do Registro Civil de Minas está entre as quatro piores do Brasil. Mas não vamos parar um minuto sequer enquanto o registrador civil e o Registro Civil não receberem o valor que merecem”, reforçou. Genilson Gomes encerrou sua fala citando Paulo Freire, sintetizando sua crítica: “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, até que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática”.

O prefeito de Padre Paraíso, Diego Ferdinando Mendes Oliveira, que também é registrador civil, reconheceu em sua fala essa discrepância e relatou como os atos do Registro Civil estruturam políticas públicas em nível municipal. “O Registro Civil salva recursos e orienta investimentos”, afirmou, destacando que indicadores nascidos das serventias definem onde construir escolas, reforçar serviços de saúde e alocar assistência social. Em um testemunho pessoal, lembrou que encontrou sua vocação no balcão do Cartório onde iniciou sua carreira: “Foi ali que descobri que servir ao próximo transforma vidas”.

A relevância da atividade também foi reforçada pelo presidente da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), Devanir Garcia, que alertou para os riscos de decisões e julgamentos feitos por quem desconhece a realidade do Registro Civil. “O grande problema é ser julgado por quem não conhece a tua atividade”, afirmou. Ele destacou que cada registrador tem a responsabilidade de apresentar à sua comunidade a importância do serviço que presta, pois um Cartório bem estruturado impulsiona a administração local. Para ele, o papel da categoria também se expressa no fornecimento de dados essenciais às políticas nacionais. “Quando enviamos estatísticas ao IBGE, não estamos cumprindo uma formalidade. Estamos dizendo ao Brasil quem somos”.

O presidente do Tribunal de Contas de Minas Gerais, conselheiro Durval Ângelo Andrade, levou a discussão ao plano constitucional, ressaltando que a juventude presente no Congresso é fruto direto da Constituição de 1988 e do fortalecimento do concurso público. Em seguida, anunciou uma parceria entre o TCE-MG e o Recivil para integração de dados no Observatório da Cidadania, destacando sua utilidade para auditorias, fiscalização de gastos públicos e políticas sociais. “O Tribunal que cuida de gente estará ao lado do Recivil para transformar dados em políticas públicas”, afirmou.

 

Posts relacionados

Desembargadora discute normas para utilização do papel de segurança em registros civis no Ceará

Giovanna
12 anos ago

Sauditas podem impor idade mínima para casamento, diz jornal

Giovanna
12 anos ago

Projeto prevê emancipação de índios aos 18 anos de idade

Giovanna
12 anos ago
Sair da versão mobile