Recivil
Blog

Projeto prevê que escolas paulistas incluam nome social de travestis e transexuais em registros internos

Tramita na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) um projeto de lei que determina que as instituições de ensino, públicas e privadas, devem passar a incluir o nome social de travestis e transexuais em seus registros internos. A proposta é de autoria da deputada estadual Leci Brandão (PCdoB) e visa a efetivar o processo de inclusão dos transgêneros no contexto escolar.

De acordo com o texto do projeto, as instituições que integram o Sistema Estadual de Ensino de São Paulo devem adotar tal postura em respeito à cidadania, aos direitos humanos, à diversidade, ao pluralismo e à dignidade da pessoa humana.

A medida tem o intuito de assegurar as condições de acesso, permanência e sucesso escolar de travestis e transexuais.

Atualmente, o PL 728/2011 está em tramitação na Alesp e aguarda aprovação nas comissões da casa para poder ser votado no plenário.

Dignidade da pessoa humana

Na justificativa do projeto, a deputada Leci Brandão ressalta que a Constituição Federal de 1988 erigiu como valor fundamental a proteção e a promoção da dignidade da pessoa humana — definida como “a qualidade intrínseca e distintiva de cada ser humano que o faz merecedor do mesmo respeito e consideração por parte do Estado e da comunidade”.

Na sua linha de raciocínio, a deputada cita o jurista Fábio Konder Comparato para afirmar que o princípio destacado deve ser a matriz de todos os direitos existentes na ordem jurídica. 

Para a deputada, a problemática dos transgêneros passa por uma confusão cultural e social entre os elementos “identidade de gênero”, “orientação sexual” e “sexo anatômico”.

“A questão é que o padrão cultural dominante não corresponde à multiplicidade de combinações possíveis entre estas três categorias distintas”, afirma Leci Brandão. E vai além: “uma sociedade que se pretenda democrática deve ter o compromisso de buscar a inclusão de todos os segmentos sociais”.

Evasão escolar

De acordo com dados da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), o índice de evasão escolar entre transexuais e travestis beira os 73%.

O projeto de Leci Brandão defende que tal número de abandono escolar não está ligado somente a decisões individuais de cada um, mas completamente atrelado à intolerância e à diferença. “Estamos diante de um verdadeiro e sistemático processo de exclusão fomentado pelo preconceito”, argumenta a deputada.

A parlamentar conclama, então, as instituições de ensino a mudar esse quadro. “A escola, como campo privilegiado a ensejar transformações, deve adotar ações voltadas para a inclusão”, afirma.

Ao concluir a justificativa, ressalva: “sabemos que não se estabelece a afetividade por meio de leis”. Mas lembra que “o respeito ao próximo é um valor ético que, ao ser transgredido, exige que instrumentos assegurem o respeito e a dignidade dos grupos vitimizados da nossa sociedade”.



Fonte: Site Última Instância
 
 

Posts relacionados

Tribunal de Mato Grosso busca reativar cartórios

Giovanna
12 anos ago

Recivil realiza Curso de Qualificação em Curvelo

Giovanna
12 anos ago

Criança de Alvinópolis terá nome da mãe e de dois pais na certidão de nascimento

Giovanna
11 anos ago
Sair da versão mobile