Cerimônia aconteceu na presença dos padrinhos e testemunhas. "Eu sempre soube que era isso que queria”, contou um dos noivos.
“A gente se conhece há 12 anos. Sou mineiro e o conheci no Rio. Gostamos um do outro, e estamos juntos até hoje. Temos uma relação de comprometimento. Sempre soube que era uma coisa estável, então resolvemos oficializar. Com esse reconhecimento da lei nós fortalecemos a nossa união, resguardamos nossos bens, além de abrir espaço para as pessoas que estão na mesma situação. Eu sempre soube que era isso que queria”, contou José do Rosário Silva, de 46 anos, que protagonizou a primeira união homoafetiva do município de Mendes, RJ.
José se casou com Eleison Diettrich de São Cristovão, de 50 anos, no dia 4 de outubro, no Cartório do Ofício Único de Mendes. A cerimônia simples foi realizada na presença dos padrinhos e testemunhas. Juntos há mais de uma década, eles sempre contaram com o apoio da família e dos amigos. “Foi muito bem aceito desde o início. Nunca tivemos nenhum problema. Inclusive nossas testemunhas foram um casal de héteros”, lembrou José.
Para dar entrada nos papéis, o casal também não encontrou dificuldades. “Fomos ao cartório e nos explicaram como seria feito. Depois levamos ao juiz e o pedido saiu no diário oficial. Em um período de 30 dias podia haver contestação, mas o juiz liberou. Quando liguei para marcar a data, informaram que era a primeira união homoafetiva da cidade. Quando colocamos a certidão de casamento nas redes sociais, tivemos mais de 200 postagens parabenizando a iniciativa”, contou.
Após a união, José, que trabalha como assistente administrativo em uma escola, teve direito a folga no trabalho, como qualquer outra pessoa quando se casa. “Levei a certidão de casamento no trabalho e fiz questão de pegar os dias que eram meus de direito. Eles aceitaram sem o menor problema. Não tive resistência alguma”.
Segundo José, junto com a união oficializada veio uma grande responsabilidade. “Eu via na televisão, na novela, e pensava: ‘eu nunca me casei’. Quando veio o papel e tudo, senti uma responsabilidade maior. Não que um papel faça isso, mas você sabe que está ali, que agora está confirmado”, disse.
Dia a dia
A maior dificuldade na rotina do casal é driblar a saudade. Eleison trabalha como comissário de bordo e passa 15 dias do mês viajando. “Como aqui é uma região precária de celular e internet, nós fizemos de tudo para ter internet 24 horas e poder ficar em contato. A câmera fica sempre aberta nos nossos computadores e preenchemos o tempo conversando por ela, através de e-mail e outros programas. Só quando ele está voando que não dá”, contou José.
Novos tempos
Para o oficial do registro civil no Cartório do Ofício Único de Mendes, Orlando Quatrini Neto, a iniciativa do casal é algo que deve ser aceita na sociedade. “Não me surpreendeu. As pessoas não podem viver às margens da sociedade. Acho que isso é sinônimo de desenvolvimento. É uma adequação aos novos tempos, um sistema atualizado, essa é a nova sociedade”, disse Orlando.
Segundo o oficial, a única diferença no procedimento para um casamento homossexual é a autorização de um juiz. “A união homoafetiva é uma nova interpretação do código civil. Por isso, no caso deles, o pedido passa pelo Ministério Público e pela magistrada. A diferença é que é necessária a autorização do juiz para a realização do casamento, apesar de a corregedoria dizer que tem que acatar. Mas, mesmo assim, o tempo de espera é praticamente o mesmo de um casal heterossexual, aproximadamente 30 dias”, explicou.
A atitude de José e Eleison também tem influenciado novos casais. De acordo com Orlando, a procura no cartório tem aumentado, mas ninguém ainda se arriscou a dar o último passo. “Muita gente procura para saber como é, mas na hora acho que as pessoas ficam inibidas para dar esse passo, ficam receosos, como se fosse uma afronta a sociedade. Mas não é assim. Hoje é totalmente normal”, concluiu o oficial.
Fonte: G1
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