Casar de papel passado, com direito a cerimônia, vestido de noiva, flores, festa e trilha sonora romântica está na moda. Foi-se o tempo em que os mais jovens achavam a ideia brega, que os homens fugiam do compromisso formal e as mulheres rechaçavam o ritual em prol da condição – e do estereótipo – de independência que demorou anos a ser conquistada.
Os antigos "machões" acabam cedendo aos apelos das noivas e a população feminina reassume os sonhos e contos de fadas que povoavam a mente das gerações mais antigas. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados em novembro de 2009, o número de casamentos legais registrados no país em 2008 aumentou 34,8% em comparação aos contabilizados em 1998 e 4,7% em relação a 2007.
A última pesquisa mostrou que, só no ano passado, aproximadamente 67 milhões de brasileiros entregaram-se ao matrimônio. Isso sem contar quem decide morar junto, sem nenhum documento legal, e ainda assim realiza algum tipo de comemoração para celebrar a união.
O crescimento nos números pode ser interpretado de diversas maneiras. A questão financeira é uma delas. Atualmente é possível planejar tudo com antecedência e parcelar os custos em muitas vezes. Pagar um pouco por mês pode ser um fator decisivo para a decisão do casal que, geralmente, quando está prestes a assumir este tipo de compromisso, já está envolto em dívidas com a nova casa e todo o resto que a vida a dois impõe.
Outro aspecto é a quantidade e a facilidade com que a informação chega até as pessoas nos dias de hoje. Pela internet, noivas discutem todos os preparativos em blogs e comunidades virtuais, trocam opiniões sobre as opções mais em conta e as tendências mais inovadoras e ainda fazem o boca a boca recomendando – ou não – os serviços que conheceram ou contrataram, criando uma fonte quase que inesgotável sobre o assunto.
Na opinião de Sheila Rigler, diretora e proprietária da "Par Ideal", uma das agências matrimoniais mais conhecidas do país, o que impulsiona o crescimento das uniões são mudanças comportamentais. "Acho que as pessoas estão cansadas do ‘ficar’, da liberdade exagerada, e estão cada vez mais interessados em resgatar valores", afirma.
A empresária, que tem formação em pedagogia e casou-se em 1970, "com tudo o que tinha direito", conta que as pessoas que procuram a empresa querem mesmo é um compromisso sério. "Os solteiros desejam sim um casamento formal", conta.
Segunda ela, a indústria seduz principalmente as mulheres mais jovens. "Independentemente da classe social, o matrimônio e a celebração viraram um sonho de consumo das moças mais novas", diz. Por meio de sua agência, formaram-se mais de 1.400 casais. "Alguns entre os poucos que não deram certo ainda voltaram e conseguiram casa novamente", garante.
Oficializando a união
O casamento não é feito só de sonhos, luxo e romantismo. Quem pretende oficializar a união e fazer jus ao famoso termo "de papel passado", tem que se submeter às práticas burocráticas do sistema legislativo.
Para casar no civil, pelo menos duas visitas ao cartório são obrigatórias. A primeira, para dar entrada nos papéis. É importante ir com certa antecedência, pelo menos de um mês. Na ocasião, os noivos marcam a data do enlace e apresentam os documentos necessários (Comprovante de residência, RG e certidão de nascimento original, caso forem brasileiros e tiverem mais de 18 anos).
Na segunda, acompanhados de duas testemunhas, os pombinhos marcam presença para dizer "sim" e, em aproximadamente 20 minutos, se tornam, perante a lei, marido e mulher.
Vale lembrar que cerimônias religiosas só podem ser realizadas após ou simultaneamente aos processos civis. Nos cartórios de São Paulo e do Rio de Janeiro, as taxas variam entre R$ 250,00 e R$ 300,00, dependendo do local. Se o juiz se deslocar até a festa para realizar o ritual "in loco", diante dos amigos e familiares, o casal desembolsa um valor extra, que pode mudar bastante dependendo do profissional e da cidade onde atua.
Precauções
Segundo a advogada Sylvia Maria Mendonça do Amaral, especialista em Direito de Família e Sucessões, antes mesmo de dar entrada no processo de casamento no cartório, é necessário tomar algumas precauções. "O primeiro passo é escolher o regime de bens que regerá o casamento em relação ao patrimônio que os noivos já tinham antes da união e aqueles que virão a adquirir durante", explica.
O "casar no civil" implica o regime de comunhão parcial de bens. Isso significa que, no caso de uma separação, tudo o que for conquistado durante o casamento será dividido em partes iguais. Na prática, será preciso assinatura do companheiro para abrir conta em banco, montar uma empresa, adquirir um imóvel, entre outras coisas.
Caso a opção seja outra, é preciso deixar claro na hora dar início ao processo no cartório. Com a separação total de bens, como o nome já sugere, cada um cuida da sua vida. Neste regime, se a ideia é comprar um apartamento no nome dos dois, por exemplo, isso não é feito de maneira automática, será necessário estipular a porcentagem de cada um, como numa sociedade. Já a comunhão total de bens, pouco adotada hoje em dia, presume que todas as posses do casal, entrem em um possível processo de divórcio, inclusive objetos de valor, como jóias, artigos de arte e decoração, entre outros.
Quem só quer morar junto, pode optar por um documento de união estável, feito também em cartório, para facilitar a vida na hora de incluir o marido ou a mulher como dependente no plano de saúde e coisas do tipo. Fora isso, o que vale mesmo é o sentimento e a convivência que vêm da relação a dois, que define e valida o casamento, independente de festas luxuosas e papéis assinados.
Fonte: Yahoo! Notícias Brasil
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