Recivil
Blog

Ribeirinhos levam demandas de registro, pensão e auxílio-maternidade ao Judiciário de Rondônia

Operação no Baixo Madeira segue até dia 28 de maio, sem interrupção, com as Justiças Estadual e Federal.

Documentos na mão e barranco abaixo. É assim que gente de toda idade chega para receber atendimento jurisdicional durante a Operação Justiça Rápida Itinerante, realizada na região da Amazônia conhecida como Baixo Madeira, em Porto Velho – RO. Entre as demandas apresentadas, destaque para os pedidos de registro de nascimento tardio, pensão alimentícia e auxílio-maternidade. O trabalho segue sem interrupção até o dia 28 de maio, conforme cronograma da coordenação.

Segundo o juiz coordenador da Operação, Johnny Gustavo Clemes, a união de vários órgãos proporciona que as pessoas resolvam, de uma só vez, questões distintas e que poderiam levar bem mais tempo até para quem mora na cidade. Além da resolução de conflitos de menor potencial por meio da conciliação, também são analisadas solicitações de auxílio-maternidade e aposentadoria, questões previdenciárias que necessitam de minucioso rito para concessão, com a realização de audiências de conciliação, instrução e julgamento. E ali mesmo, na beira do rio, as pessoas conhecem o resultado.

Mães e meninas

A jovem Jéssica Oliveira logo cedo pegou senha para atendimento da Justiça Federal em busca do auxílio concedido às mães de baixa renda. Ela e o esposo já haviam passado por audiência na Justiça Estadual, com participação do Ministério Público Estadual e Defensoria. Após ouvir testemunhas e analisar os documentos apresentados, o juiz Johnny determinou o registro de nascimento tardio à pequena Antônia, que tem 10 meses de vida. Com a decisão na mão, a mãe mudou de mesa e já teve a certidão expedida pelo Cartório Carvajal, que acompanha a operação do Judiciário.

A dona de casa então passou por nova triagem e seguiu para audiência em busca do auxílio-maternidade, desta vez na Justiça Federal. Mais uma vez prevaleceu o direito e ela teve o benefício concedido em audiência judicial, gravada em áudio e vídeo, é que microfones e câmeras registram tudo em arquivos de computador que fazem parte do processo judicial.

E foram muitos outros casos desse tipo durante os dois dias de atendimento no distrito de Calama, o maior da região, com cerca de 6 mil habitantes e 3 bairros. Lá, passarelas, pontes e calçadas tomam o lugar das ruas. Na localidade, cercada pelas águas dos rios Madeira, Machado e Maicy, grande parte dos jurisdicionados que procuraram o barco da Justiça é de jovens. Mães que oscilam entre a responsabilidade da maternidade e meninice da adolescência.

Mais perto das pessoas

Também presente na operação, o procurador da República Filipe Albenaz Pires explica que o Ministério Público Federal atua em audiências em que há interesses de crianças, adolescentes ou idosos. Nesses casos, o MPF busca garantir os direitos das partes do processo, além de fiscalizar a lei. Além disso, Albenaz explica que são realizadas inspeções em escolas, distribuição de água, destinação do lixo em todas as comunidades, com a coleta de informações que podem subsidiar, caso necessário, representações ou recomendações às autoridades específicas. Crimes ambientais, como o desmatamento ou atividade de garimpo também são fiscalizados durante a viagem.

Para o juiz federal Cláudio Pina, a ida da estrutura judiciária até as pessoas é uma oportunidade de conhecimento mais próximo do jurisdicionado. "O normal é eles irem até o nosso ambiente, o fórum, aqui somos nós que estamos vendo mais de perto a realidade dessas pessoas", destacou o magistrado, que já atuou na Seção de Judiciária de Rondônia, mas que agora exerce suas atividades em Minas Gerais.

Itinerante
As pessoas que vivem à beira dos rios amazônicos devem receber o mesmo amparo garantido àquelas que vivem nas cidades. Por isso nesta sexta-feira, o barco Deus é amor II ancorou em Ressaca (Santa Luzia) e no sábado na comunidade de Papagaios. Nesta segunda-feira, a equipe do Judiciário desembarca na comunidade de Santa Catarina. Até o dia 28, serão 12 localidades. O barco da saúde também acompanha a Justiça Rápida, com atendimento médico, odontológico e laboratorial, além da emissão da carteira de trabalho.



Fonte: TJRO
 
 
 

 

Posts relacionados

Acórdão – RCPN de Contagem obtém concessão da segurança para lavratura de atos declaratórios

Giovanna
12 anos ago

Caixa terá de indenizar por demora em entrega de documentos de escritura

Giovanna
12 anos ago

TJMT – Câmara defere pedido para alteração de nome e sexo em registro civil

Giovanna
12 anos ago
Sair da versão mobile