Mariana (MG) – Um mutirão de documentação está sendo realizado pelo Recivil em parceria com a Secretaria de Estado de Direitos Humanos Participação Social e Cidadania (SEDPAC) na cidade de Mariana para atender as vítimas do rompimento das barragens de Fundão e Santarém.
As barragens da mineradora Samarco se romperam no dia 5 de novembro e liberaram uma enxurrada de lama causando grande destruição na região de Mariana. De acordo com relatos de moradores, a onda de detritos teria alcançado, em alguns trechos, cerca de 40 metros de altura.
Foi montado na Câmara Municipal de Mariana um Centro de Documentação para atender a população.
(Crédito: Luciano Moreira)
Situação de Bento Rodrigues após o rompimento das barragens
De acordo com o assessor especial da SEDPAC, Edgar Mansur, como as famílias já se encontram hospedadas em hotéis de Mariana e em casa de parentes, a prioridade no momento é que elas tenham acesso a seus direitos. “Para que isso seja possível é necessário que as pessoas tenham seus documentos”, declarou.
Segundo ele o objetivo agora é devolver a cidadania para as pessoas que perderam seus documentos, suas casas e terras com esse acidente. “Nosso maior desafio é em relação a certidões para que a população consiga emitir os outros documentos e assim ter acesso aos seus benefícios, como o Bolsa Família”, explicou Edgar Mansur.
A coordenadora de Projetos Sociais do Recivil, Andrea Paixão, informou que cerca de 500 pessoas precisam de atendimento. Além de fornecer o documento também existe a preocupação com o deslocamento dos atingidos.
“Inicialmente pensamos em ter um local para as pessoas irem até a equipe do Recivil, mas como ainda estão muito fragilizadas decidimos ir até onde elas se encontram hospedadas”, esclareceu.
Uma equipe do Recivil também está no Centro de Documentação para receber as pessoas que estão em casas de familiares.
Atendida pela equipe do Recivil, a moradora de Bento Rodrigues, Roza Maurília Gomes, de 77 anos, relatou que foram momentos de correria e gritos da população em busca de local seguro. Ela acredita que a casa não foi invadida pela lama, mas como está sem os documentos não consegue receber a aposentaria.
“Quando fui avisada pelos vizinhos saí correndo por aproximadamente 15 minutos até um lugar mais alto e não tive tempo de levar nada, mas a vida está salva e é isso o que importa”, declarou.
Outras pessoas viram todos os seus bens sendo arrastados pela lama. Como foi o caso de Amarildo Gonçalves Arcanjo que, após ajudar a retirar os pais idosos de casa, foi arrastado por cerca de 5 km sobre a onda de lama.
Amarildo Gonçalves Arcanjo (camisa cinza) e os irmãos viram toda a história de suas vidas ser levada pela lama
“Tentei tirar o meu carro da garagem, mas a lama avançou rápido, então subi em cima do carro e me agarrei a uma árvore, me mantive calmo e fui boiando até que consegui chegar a uma área segura,” relatou.
Ele e mais dois irmão solicitaram a segunda via da certidão.
O oficial substituto de Mariana, Hélio dos Santos Oliveira, ofereceu o cartório para servir como base para que as certidões da região sejam encaminhadas. “Farei o contato com os oficiais de todos os distritos e providenciaremos o mais rápido possível a emissão da certidão e assim devolver a cidadania dessas pessoas o mais rápido possível”, esclareceu.
O atendimento aos atingidos pela tragédia será feito durante toda a semana pela equipe do Recivil.
O oficial substituto de Mariana se prontificou a entrar em contato com os demais registradores da região para agilizar a emissão das certidões das vítimas do rompimento das barragens
Leia mais:
Recivil realiza projeto social para documentar população atingida pela tragédia em Mariana
Fonte: Assessoria de Comunicação do Recivil
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