Belo Horizonte (MG) – Na semana do dia internacional das mulheres, o presidente do Recivil, Paulo Risso, recebeu na sede do Sindicato dos Cartórios de Registro Civil de Minas Gerais a coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres da Secretaria de Governo de Juiz de Fora, Rose França.
Clique aqui e veja a entrevista com Rose França.
A coordenadora conversou com o presidente do Recivil sobre os altos índices de homicídios de mulheres vítimas de violência de seus próprios companheiros ou parentes. Rose França salientou que o apoio e a conscientização da sociedade são essenciais para que os índices diminuam.
De acordo com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), por ano, no Brasil, aproximadamente cinco mil mulheres são vítimas de homicídios, estima-se que a maioria causado pelos companheiros.
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Rose França, coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres de Juiz de Fora
Como a capilaridade dos cartórios de Minas Gerais é muito grande, Risso abraçou a campanha e sugeriu que fossem distribuídos cartazes com informações e contatos para denúncias em todos os municípios de Minas Gerais.
“O Registro Civil trabalha diretamente com a família. Por que não trabalhar com a família dando apoio a estas mulheres? A capilaridade nossa é muito grande e temos que fazer esse ato de cidadania. Vamos apoiar vocês e dizer que o Recivil é parceiro nesta luta pelo fim da violência contra a mulher”, declarou Risso.
A cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata, teve uma iniciativa pioneira no Estado. O prefeito Bruno Siqueira determinou que se criasse um núcleo maior de proteção a mulher, e assim foi inaugurada no mês de maio do ano passado a Casa da Mulher, que conta com o apoio de uma Delegacia Feminina, da Defensoria Pública, da OAB mulher e da Policia Militar. Em menos de um ano, a Casa da Mulher já atendeu mais de duas mil mulheres só em Juiz de Fora.
“As mulheres estão tendo coragem em denunciar, a nossa função é essa, abraçar mesmo a mulher. Muita gente acha que a violência contra a mulher é apenas a violência física, e isso não é verdade. Existe também a violência verbal, moral, emocional e até mesmo patrimonial. Mas a meu ver, a pior de todas é a violência psicológica. Ela destrói a mulher. A mulher vitima de violência tem depressão, autoestima muito baixa, não liga para se vestir e se arrumar. Quando uma mulher começa a apresentar essas características, vamos observar como está a sua casa, porque muitas vezes ela não quer denunciar. Ela não quer que seu companheiro vá preso, então nós precisamos tratar essa mulher e muitas vezes tratar o marido também. A violência psicológica é muito grave e é a que acontece em maior número”, explicou Rose França.
“Minas Gerais está em 12º no ranking nacional de mortes de mulheres vítimas de violência. E não é só o companheiro que está agredindo a mulher. Em Juiz de Fora foram vistos vários casos de filhos que agridem suas mães. Muitas vezes por causa de drogas. Este é um problema social e cada um deve fazer a sua parte para colocar fim nele”, completou Risso.

Paulo Risso abraça a Campanha pelo Fim da Violência contra as Mulheres
O governo federal disponibilizou o número 180 para denúncias. Qualquer mulher pode ligar de qualquer telefone para o 180 e fazer sua denúncia.
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