A assistente administrativo e estudante Jadd Maria Natividade Índio do Brasil de Menezes, de 27 anos, conquistou na Justiça o direito de incluir o nome de batismo 'Jadd' na certidão de nascimento. Tudo isso para consertar o esquecimento do pai ao registrá-la no cartório.
"Quando eu tinha 5 anos de idade, a minha mãe precisou me colocar na creche, mas eu ainda não era registrada e só o meu pai poderia me registrar no cartório. Na época, eles já estavam separados e ela pediu para ele me registrar como Jadd. Mas quando o meu pai chegou lá [cartório] e esqueceu meu nome, então o escrivão sugeriu que colocasse o nome da minha avó, porque era fácil de lembrar", relatou ao G1.
A decisão do pai de registrar a filha como Maria Natividade Índio do Brasil de Menezes contrariou a mãe, segundo a jovem. "Quando ela recebeu o registro, ficou muito contrariada. Ela pediu para o meu pai ir ao cartório e corrigir o meu nome, mas ele decidiu mantê-lo porque tinha posto aquele e disse que era para continuar o que ele tinha colocado. Como a minha mãe não podia fazer nada, ficou esse mesmo."
Mesmo a jovem não tendo sido registrada com o nome de batismo, a mãe insistia em chamá-la de Jadd. "Quando ela foi fazer o meu cadastro na escola, avisou para todos os professores que era para me chamar de Jadd e não de Maria. Até na lista de chamada tinha um risquinho no meu nome só para não esquecerem", disse a estudante, que ri ao lembrar da época.
Embora não tivesse no registro, com o tempo a jovem adotou Jadd como primeiro nome. Ela conta que sempre se apresentou com ele, mas quando ficava cansada de explicar o motivo se apresentava como 'Maria Jadd'. "Quando eu falava que meu nome era Maria Jadd não ficavam perguntando. Já quando as pessoas viam o meu RG achavam que Jadd era o meu apelido ou pensavam que eu tinha vergonha do meu nome."
"O mais engraçado é que, o Maria Natividade, que andou comigo todos esses 27 anos, não me incomoda mais. Depois de ter incluído o Jadd, ficou irrelevante, porque eu até poderia tirar esse nome, mas optei por deixar e mostrar que não era pelo nome dado errado, mas pelo nome escolhido não ter dado certo", ressaltou, dizendo ainda que o único incômodo era não ser chamada pelo nome de batismo.
A conquista foi consequência da ação da advogada Iasmin Siqueira, que entrou na Justiça em junho de 2014 para retificar o nome da estudante. Um ano depois do andamento do processo, o juiz Alexandre Tsuyoshi Ito, da 4ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos de Campo Grande, deu parecer favorável na quarta-feira (17), após uma audiência, para incluir Jadd no nome de registro da jovem.
Jadd ainda está utilizando os documentos com o antigo nome e deve atualizá-los em breve. "Como a audiência foi na quarta, estou aguardando o fórum emitir um ofício para atualização de todos os meus documentos. Sei que vou gastar uma 'graninha', mas vou feliz", afirmou.
Fonte: G1
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