O membro titular do Colégio Brasileiro de Genealogia, Carlos Eduardo Barata, divertiu a plateia participante do V Congresso Estadual dos Registradores Civis de Minas Gerais ao falar sobre a origem dos principais nomes de famílias existentes hoje no País.
Para uma plateia composta por quase cem por cento de registradores civis, que diariamente tem contato com dezenas de prenomes e sobrenomes, o palestrante foi feliz ao abordar um tema de interesse e curiosidade geral.
No dia a dia das serventias os registradores na sua grande maioria não têm conhecimento de onde vem e qual o significado de tantos nomes que passam sob suas canetas e que são a base de seu trabalho. Animado com público tão especifico, Barata pôde explicar com detalhes de onde surgiu grande parte dos nomes conhecidos atualmente.

O genealogista Carlos Barata fala aos registradores mineiros sobre a origem dos nomes
Antes de iniciar sua explanação, Carlos Barata elogiou o trabalho realizado pelos registradores civis do País e afirmou que graças a este trabalho a história da humanidade, de povos e raças pode ser estudada e traçada.
A palestra começou enfatizando a origem dos prenomes. “Prenome é aquele que serve para distinguir cada um dos membros de uma mesma família”, iniciou Carlos. “A maior parte dos prenomes de hoje são provenientes do passado e foram gerados por interesses pessoais, dados geográficos (como Lisboa, Copacabana) ou até mesmo predileção por nomes de santos (Agostinho, José)”, explicou.
De acordo com Barata, através do prenome é possível verificar a descendência familiar. “Alguns povos têm características especificas nas escolhas dos prenomes, como os hebreus, que escolhiam os prenomes dos filhos pelas circunstancias particulares do nascimento e das famílias. Por exemplo, Adão era usado para o único filho homem da família e Eva para a única mulher”, afirmou.
Já o povo grego costumava usar só um prenome. Tempos depois passou-se a usar o prenome paterno acompanhado por um sufixo. Os romanos tinham uma lista de prenomes possíveis, entre eles os mais conhecidos eram Caio, Júlio e César. Segundo Barata, foi por meio deste povo que os empregados e serviçais que prestavam bons serviços a seus patrões passavam a assumir os sobrenomes de seus senhores. Deste povo também surgiu os indicativos filho, neto e sobrinho nos homônimos da família.
Depois do sucesso do trio Caio, Júlio e César, surgiram novos prenomes como Constâncio, Prudêncio, Atanásio, Basílio e Eugênio, que até hoje são encontrados em nosso meio.
Entre os prenomes mais conhecidos no Brasil estão os que vieram de Portugal. Sabe-se que naquela nação os pais devem registrar seus filhos com os possíveis prenomes indicados numa lista. Barata afirmou aos participantes que os nomes portugueses têm origem nos nomes latinos e gregos. Como André, Estevão, Iago, Lorenzo, Luzia, Martinho, Pero e Vidal.
Em seguida o palestrante falou sobre a origem dos sobrenomes. De acordo com Barata, com a miscigenação dos povos e o crescimento das populações os sobrenomes passaram a ser essenciais para distinguir os homônimos.
Antes de encerrar sua explanação, Carlos Barata citou algumas curiosidades no surgimento dos povos e seus prenomes e sobrenomes. Cada País passou a usar normas e práticas específicas na formação dos sobrenomes. Algumas pessoas escolhiam seus sobrenomes de acordo com a localidade do nascimento, como Braga e Lisboa.
Outras nações preferiam denominar os sobrenomes pela descendência familiar, como por exemplo, Álvares, que significa filho de Álvaro; Joanes, filho de João e Henriques, filho de Henrique. Essa tendência foi verificada na maioria dos povos, como os alemães e americanos. Como exemplo citou o nome alemão, Ivanovich, filho de Ivan e os nomes americanos, Jackson, filho de Jack e Robson, filho de Rob.
“No século XII se tornam hereditários os sobrenomes, ou seja, neste século tivemos centenas de Henriques que não são parentes e isso passa a acontecer em todos os povos”, explicou o palestrante. “Existem sobrenomes de origem toponímica, ou seja, a pessoa tem seu nome ligado ao seu local de nascimento como no caso da atriz Mel Lisboa.
Outros são associados a títulos de nobreza como Barão do Rio Branco, que gerou a família Rio Branco. Existem também as famílias descendentes de pessoas notáveis, como a família Rui Barbosa, por exemplo, que passou a usar este nome como sobrenome. “Outro caso interessante é o da família Vital Brasil, que foi uma grande pessoa, mas a família na verdade se chamava Santos Pereira”, completou Barata, que aproveitou a palestra para citar algumas curiosidades nos surgimentos de alguns nomes, como o já comum Furtado.

O palestrante recebe uma lembrança de agradecimentos das diretoras do Recivil Adriana Patrício e Maria Nildéia Borges
“Furtado era o nome dado ao filho que foi feito em conseqüência de algum furto. Ou seja, o homem roubava a mulher de alguém e o filho ficava com o nome de furtado”, contou o palestrante entre risadas da plateia. “Claro que hoje em dia nem todo Furtado vem disso daí”, completou.
Ao encerrar, Barata declarou seu grande interesse nos livros antigos que compõem o acervo das serventias e sua preocupação com o avanço das tecnologias e o possível futuro desses papéis.
“Se os livros dos cartórios acabarem por causa dos arquivos digitais, nós historiadores vamos perder muito porque dependemos desses livros e dependemos de vocês. Peço que se este for o futuro, que eles sejam encaminhados aos arquivos públicos porque estes livros são a história do Brasil”, encerrou Barata.
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