Algumas nações ricas têm trocado censo por registros administrativos
Bater de porta em porta pode parecer uma maneira arcaica de fazer um retrato do país. Realmente, contudo também é o modo mais eficiente, garantem especialistas. Mas o custo alto estimula a discussão de alternativas ao censo. E isso por mais que alguns países – como Suécia, Suíça, Espanha e Itália – já adotem com mais ou menos intensidade os registros administrativos para traçar o perfil do país. Na França e nos Estados Unidos, a opção é por pesquisas com grandes amostras e censos com poucas perguntas.
A maioria dos países do mundo, contudo, ainda usa os questionários censitários, com entrevistas pessoais ou não, na hora de conhecer mais profundamente sua população. E, para analistas, no caso do Brasil – onde há muita informalidade no trabalho, na moradia e nem todos os cidadãos têm registro – esse instrumento é indispensável.
Taís de Freitas Santos, representante auxiliar do Fundo de População das Nações Unidas, afirma que em países onde há estatísticas vitais confiáveis, como de natalidade e mortalidade, é possível se discutir um fim para a pesquisa censitária.
– É uma questão que vem surgindo há algum tempo. Mas o grande investimento deve ser na melhoria das estatísticas vitais.
Milhares de brasileiros não têm registro de nascimento
Na avaliação de José Eustáquio Diniz, professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE, o censo ajuda a corrigir os erros dos registros do país – e não o contrário. Ele cita, por exemplo, o fato de muitos brasileiros não terem certidão de nascimento.
– Milhares de pessoas nem são registradas nos cartórios. Há também outras milhares que morrem e isso não é registrado. É o censo quem diz se a cobertura do governo é boa ou não.
Diniz destaca que o censo vai a áreas de risco e levanta informações que, muitas vezes, nem mesmo as prefeituras têm.
– Muitas favelas trazem ruas e números inexistentes. E isso o censo consegue traduzir.
Para Eduardo Nunes, presidente do IBGE, o censo é o melhor instrumento para apurar as condições socioeconômicas da população. Mas ele pergunta:
– É viável economicamente? Esse é o desafio que todos os institutos de estatísticas terão de enfrentar.
Para ele, o modelo adotado pela França, que pesquisa todos os domicílios das cidades menores e usa amostras nas grandes metrópoles, seria uma alternativa para o Brasil:
– Os EUA fazem, anualmente, pesquisas amostrais robustas, que vão a 3 milhões de domicílios para apurar as condições sociais. E o censo é feito, porém com poucas perguntas.
Outra questão importante está na lei. O IBGE precisa atualizar a população de cada município, pois esse número determina o tamanho do repasse dos recursos federais para o Fundo de Participação dos Municípios.
Alicia Bercovich, assessora da presidência do IBGE para os censos, acrescenta que países como o Brasil – de tamanho continental e com milhões de habitantes – não têm como fazer um censo apenas com dados do governo:
– Seria preciso uma base de dados muito confiável.
Fonte: O Globo
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