Gramado (RS) – Renomados juristas nacionais se reuniram no palco do Hotel Serrano, em Gramado, no Rio Grande do Sul, para a abertura oficial das palestras técnicas do XVI Congresso Brasileiro de Direito Notarial e de Registro, promvido pela Anoreg-BR entre os dias 17 e 20 de novembro. O tema em foco: "A Multiparentalidade e o Princípio da Dignidade Humana: Aspectos Inerentes ao Direito Sucessório”.
Entre os nomes de peso presentes ao evento estavam os professores Giselda Hironaka (USP), Rolf Madaleno (PUC-RS), Zeno Veloso (UFAM) e Christiano Cassettari (USP) debatendo as mais atuais jurisprudências sobre casos de multiparentalidade, além de esclarecerem as dúvidas dos notários e registradores a respeito da temática.
O debate também contou com a participação do ministro do STJ, Sérgio Kukina, que citou a importância dos cartórios para a desburocratização dos processos no judiciário. “Seria muito interessante que os cartórios pudessem, com a fé publica que lhes é inerente, ter uma mobilidade maior e atender com maior presteza o povo brasileiro nessas questões de tanto relevo”, disse.

O mediador Zeno Veloso afirmou que a socioafetiviadade gera a multiparentalidade. “Atualmente, os casos de multiparentalidade aumentaram devido a facilidade do divórcio e a constituição de novas famílias, por isso, os cartórios têm um papel muito importante para que esses assuntos fiquem documentados”, afirmou.
Em seguida, Giselda Hironaka destacou que a família de hoje é mais pluralista, e ressaltou que esta não é melhor nem pior que outras concepções familiares. “Estamos falando da família da contemporaneidade, diferente do que se teve antigamente. Agora, essa constituição de tal vínculo gera efeitos jurídicos e implica nos direitos sucessórios”, destacou.

Na opinião de Giselda, essa decisão deve ser feita no foro judicial e acolhida pelos notários e registradores. “Eu prefiro que esse reconhecimento seja feito pela via judicial dada a altíssima carga probatória objetiva que se deve fazer acerca dessa situação, para que se diga, aqui sim, tem um vinculo socioafetivo capaz de gerar uma filiação socioafetiva”, defende.
O palestrante Rolf Madaleno destacou que a realidade multiparental já existia antigamente, mas apenas para efeitos de pensão alimentícia. Os desafios quanto a temática atualmente são como os tribunais e a sociedade deverão se comportar. “A filiação tridimensional é uma ideia de que essa filiação não tem que ser só biológica ou socioafetiva, muitas vezes pode ser biológica e também socioafetiva e não necessariamente estarem na mesma pessoa. As vezes a socioafetividade existe com uma pessoa e a genética com outra”, explicou.
De acordo com Madaleno, eventos como o XVI Congresso da Anoreg-BR são importantes para fomentar debates e esclarecer dúvidas. “Seminários como esses tem uma importância fundamental, pois aqui se trocam informações valiosas, além do direito como um todo, da possibilidade que se tem de se trocar ideias de se conversar, trocar experiências com outros profissionais que já passaram por várias situações na profissão”, completou.

Para Christiano Cassetari, a realidade existente hoje no país é reflexo da fácil dissolução do casamento, que faz que com crianças muitas vezes não sejam criadas pelos pais ou tenham pouco vínculo com eles. “A parentalidade já é algo complicado atualmente, imagine a multiparentalidade”, destacou.
Cassetari abordou ainda a possibilidade de se fazer o reconhecimento de parentalidade afetiva por meio de escritura pública com objetivo de servir como meio de prova no futuro em relação a implicações judiciais. “Escritura lavrada pelo tabelião faz prova plena. Seria ótima ferramenta para advogados atuarem em ações”, destacou. Para o professor poderia ser reconhecida a parentalidade socioafetiva também por testamento, que é irrevogável.
Alguns estados brasileiros já possuem provimentos para que a parentalidade socioafetiva seja reconhecida em cartório sem ação judicial, como é o caso do Ceará e do Maranhão. “Uma das ideias dos provimentos é acabar com a adoção a brasileira”, explicou.

Posts relacionados
ARQUIVOS
- agosto 2025
- julho 2025
- junho 2025
- maio 2025
- abril 2025
- março 2025
- fevereiro 2025
- janeiro 2025
- dezembro 2024
- novembro 2024
- outubro 2024
- setembro 2024
- agosto 2024
- julho 2024
- junho 2024
- maio 2024
- abril 2024
- março 2024
- fevereiro 2024
- janeiro 2024
- dezembro 2023
- novembro 2023
- outubro 2023
- setembro 2023
- agosto 2023
- julho 2023
- junho 2023
- maio 2023
- abril 2023
- março 2023
- fevereiro 2023
- janeiro 2023
- dezembro 2022
- novembro 2022
- outubro 2022
- setembro 2022
- agosto 2022
- julho 2022
- junho 2022
- maio 2022
- abril 2022
- março 2022
- fevereiro 2022
- janeiro 2022
- dezembro 2021
- novembro 2021
- outubro 2021
- setembro 2021
- agosto 2021
- julho 2021
- junho 2021
- maio 2021
- abril 2021
- março 2021
- fevereiro 2021
- janeiro 2021
- dezembro 2020
- novembro 2020
- outubro 2020
- setembro 2020
- agosto 2020
- julho 2020
- junho 2020
- maio 2020
- abril 2020
- março 2020
- fevereiro 2020
- janeiro 2020
- dezembro 2019
- novembro 2019
- outubro 2019
- setembro 2019
- agosto 2019
- julho 2019
- junho 2019
- maio 2019
- abril 2019
- março 2019
- fevereiro 2019
- janeiro 2019
- dezembro 2018
- novembro 2018
- outubro 2018
- setembro 2018
- agosto 2018
- julho 2018
- junho 2018
- maio 2018
- abril 2018
- março 2018
- fevereiro 2018
- janeiro 2018
- dezembro 2017
- novembro 2017
- outubro 2017
- setembro 2017
- agosto 2017
- julho 2017
- junho 2017
- maio 2017
- abril 2017
- março 2017
- fevereiro 2017
- janeiro 2017
- dezembro 2016
- novembro 2016
- outubro 2016
- setembro 2016
- agosto 2016
- julho 2016
- junho 2016
- maio 2016
- abril 2016
- março 2016
- fevereiro 2016
- janeiro 2016
- dezembro 2015
- novembro 2015
- outubro 2015
- setembro 2015
- agosto 2015
- julho 2015
- junho 2015
- maio 2015
- abril 2015
- março 2015
- fevereiro 2015
- janeiro 2015
- dezembro 2014
- novembro 2014
- outubro 2014
- setembro 2014
- agosto 2014
- julho 2014
- junho 2014
- maio 2014
- abril 2014
- março 2014
- fevereiro 2014
- janeiro 2014