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Mineiras vencem preconceito e selam união em 1º casamento gay de Miraí

Elas se conheceram através de um grupo em uma rede social, venceram a distância e o preconceito e “subirem ao altar”. Foi assim, que a vida das mineiras Tatiani Arcanjo de Oliveira, de 33 anos, e Lumara Kery Rodrigues, de 22, ganhou novos significados. A união no Civil ocorreu em Miraí, na Zona da Mata do Estado, e foi o primeiro casamento gay realizado na cidade. De acordo com o cartório, o registro ocorreu em 11 de setembro deste ano, com a presença das noivas e testemunhas. Ainda segundo o cartório, não existem outros casamentos entre homossexuais marcados na cidade.


A pedagoga Tatiani, mais conhecida como Taty, contou ao G1 que era administradora de um grupo no Facebook e foi lá que conheceu a “Luh”. Elas trocaram ideias, sanaram dúvidas e compartilharam opiniões. Depois de dois meses, Lumara saiu de Araxá, no Alto Paranaíba, para encontrá-la, há mais de 650 quilômetros, em Miraí, na Zona da Mata. “Ela enfrentou 15 horas para me ver. Quando ficamos frente a frente, meu coração parecia que ia sair pela boca, mas pensei que seria somente mais uma. Fico feliz de ter me enganado”, disse Tatiani.


O amor rompeu paradigmas e “à primeira vista” elas começaram a namorar. Nem tudo foram “flores” e tiveram que aprender a lidar com questões familiares, como o comodismo, o preconceito e até com a distância. “Namoramos e chegamos até a nos separar. Chorávamos dia e noite nos falando mesmo longe, até que fui surpreendida com uma ligação dela me pedindo em casamento, em dezembro do ano passado. Era uma sexta-feira 13, mas que saiu dos padrões e me deu sorte. Ficamos noivas e hoje já estamos juntas há dois anos e seis meses”, relembrou a pedagoga.


A maior dificuldade do casal foi a distância, mas Taty relatou que enfrentou problemas com a família de Lumara, que não aceitou o romance, mas atualmente respeita a decisão que tomaram. Mesmo morando em um cidade com pouco mais de 14 mil habitantes, as fofocas não foram muitas e a pedagoga afirmou que somente uma vez chegou aos ouvidos dela que uma professora havia dito que era uma “pouca vergonha” o relacionamento que ela escolheu.


Tatiani relatou que além do papel assinado, ela e a noiva não abriram mão de oficializar a união como qualquer outro casal e fizeram festa, receberam amigas e se vestiram de noivas. “Foi tudo tão mágico. Tivemos uma festa de princesas. De agora em diante é mostrar à sociedade que nada e nem ninguém se afetou com nosso casamento. Somos todos iguais – trabalhamos, pagamos contas, temos filhas, passeamos, entre tantas coisas que a sociedade faz. Me sinto fortalecida e certa de continuar lutando pelo fim desse ‘câncer’ chamado preconceito”, relatou.

 

A pedagoga acredita que a coragem de ser a primeira a assumir um casamento gay no civil na cidade encorajou muita gente e que, de hoje em diante, alguns deixarão de pensar tanto nos outros e ir em busca dos sonhos. “Em relação às pessoas da minha cidade estou tranquila e digo a quem não me aceita para apenas me respeitar, que já é de bom tamanho”, disse.


Lumara Kery fez das palavras de Taty as dela e garantiu que vivem momentos de todos os tipos, inclusive engraçados, como serem paqueradas e depois, sorridentes, mostrarem a aliança no dedo que simboliza a união delas.


Luh acredita que o preconceito também vem de casa e falou da importância de uma educação que vai além de livros e matérias propostas. “Tenho uma filha de quatro anos e a Taty uma de 13. Elas não têm e nem sofrem preconceito. Sabem que somos como qualquer outro casal, que se ama e resolveu se unir e construir uma família. Se queremos respeito, temos que oferecer e ensinar isso também”, concluiu.
 

 

Fonte: G1

 

 

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