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“Meu sonho é ter identidade”, diz mulher de 21 anos sem registro civil

Filha de pais bolivianos que moram no Acre há 30 anos, Sulamita Aguirre Dara, de 21 anos, e  seus dois irmãos nascidos em Rio Branco, no Acre, nunca tiveram certidão de nascimento. Depois de muitos transtornos enfrentados pela falta de documentos e 8 anos de luta na justiça para exercer cidadania brasileira, a jovem diz que o seu sonho é ter identidade.

A saga de Sulamita começou no cartório de Rio Branco e foi parar no Ministério Público do estado. Mesmo com a certidão negativa comprovando que não foi registrada nem no Brasil, nem na Bolívia, além dos documentos dos pais exigidos pela justiça, ela conta que os órgãos públicos ‘enrolam’ para resolver o caso. "Eles ficam jogando de um para o outro. Não me explicam o que é que está faltando. Acho que só falta mesmo um pouco de boa vontade para resolver nosso problema", comenta.

Sulamita explica que na época em que nasceu, no dia  5 de março de 1991, na maternidade Barbara Heliodora, em Rio Branco, os pais precisavam ter os documentos de identidade traduzidos para poder registrá-la. Como não tinham condições de pagar pelo serviço, não fizeram o registro.

"Não existimos perante a lei"

"Eu nunca tive este prazer de ter qualquer papel na mão que comprove que eu existo. Já chorei várias vezes por ter que me humilhar para conseguir as coisas. Meu sonho é ter uma carteira de identidade e exercer minha cidadania", diz Sulamita.

O irmão da jovem foi assassinado em dezembro de 2012 e morreu sem registro de nascimento. A família encontra dificuldade para conseguir certidão de óbito e busca, junto à polícia, investigação para o crime.

Mãe de três filhos, que também não puderam ser registrados, Sulamita não pôde casar no civil com seu companheiro Reginaldo Barreto da Silva, de 37 anos. Ela conta que cursou o ensino fundamental e não recebeu certificado, jamais conseguiu trabalhar e é barrada até mesmo quando precisa de atendimento médico nos postos de saúde.

O filho mais velho, de 5 anos, já em idade escolar, também não pode ser matriculado pela falta de certidão. Ainda assim, comparece às aulas. "Depois de muito me humilhar, a diretora do colégio deixou que ele estudasse ‘encostado’. Mas ele não vai poder ter boletim como as outras crianças enquanto eu não conseguir documento", relata.

O G1 entrou em contato com a promotoria de Registros Públicos do Ministério Público do estado. O promotor Felisberto Fernandes explicou que se manifestou pedindo diligência ao processo e se comprometeu a tentar solucionar o caso o mais rápido possível.

 

Fonte: G1

 

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