Nascida menino, João Carlos Barbosa agora é oficialmente Jéssica Lanner Barbosa. Aos 34 anos, ela conseguiu na Justiça o direito de mudar de nome no cartório civil de Ibirá, sendo uma das primeiras transexuais a alterarem seu registro antes da cirurgia de mudança de sexo no noroeste paulista, de acordo com o tabelião Gustavo Casagrande Canheu.
O próximo objetivo de Jéssica, autônoma que trabalha com reciclagem de materiais, é a cirurgia de troca de sexo e o implante mamário, seu sonho desde os 17 anos. Projetos, afirma, para o próximo ano.
O processo para a troca de nome partiu de um contato com a Defensoria Pública, que marcou uma entrevista com a assistência jurídica gratuita. Posteriormente, ela passou por atendimento psicológico e psiquiátrico, para a confirmação de que não voltaria atrás na decisão.
“Precisei mostrar que não tenho antecedentes criminais e reunir toda a minha documentação antiga. Depois de sete meses consegui a minha certidão de nascimento”, afirma Jéssica. Com o documento em mãos, conseguiu trocar RG, CPF, título de eleitor e CNH.
O tabelião Gustavo diz que se surpreendeu quando Jéssica perguntou se os documentos haviam chegado de Catanduva. “Sem a troca de sexo antes, nunca tinha visto uma decisão como essa, principalmente em primeira instância. Pedi inclusive para ver o mandado judicial.”
Jéssica tenta trocar sexo desde 97
Jéssica foi uma das primeiras a tentar cirurgia de troca de sexo na região. Em 1997, quando tinha 18 anos, se inscreveu no Hospital de Base de Rio Preto para a cirurgia, que na época funcionava em caráter experimental, sem custos. Apesar de concluir a inscrição, a idade mínima para o procedimento era 21 anos, por isso não pôde fazer parte do grupo. Em seguida, as cirurgias passaram a custar entre R$ 4 e R$ 6 mil, quantia que na ocasião ela não tinha condições de pagar.
A partir daí, consultou-se com especialistas em endocrinologia e terapia hormonal e concluiu dez anos de terapia psicológica. Durante esse período, conseguiu fazer a cirurgia de cartilagem da tireoide (também chamada de pomo de Adão). Em 2007, foi liberada a cirurgia de troca de sexo pelo SUS, mas o Hospital de Base não foi um dos credenciados.
Dois anos depois, ela descobriu que seria possível fazer a cirurgia pelo SUS no Hospital das Clínicas de São Paulo. A partir daí, enfrentou novamente toda a burocracia de uma fila de espera para a cirurgia e repetir os procedimentos que já havia feito. “Estou aguardando a data da cirurgia, já que sou a 17ª na fila. A única coisa que sei é que será no ano que vem, por isso a expectativa é ainda maior, depois de tantos anos”, afirma Jéssica. Em 2013, ela descobriu que a prótese mamária também poderia ser feita pelo SUS e também entrou na fila.
‘Sempre gostei de bonecas’
As bonecas e brincadeiras de menina eram os preferidos passatempos de Jéssica na infância. “Sempre gostei de bonecas.” Ela afirma que adorava usar roupas femininas, desde pequena. Mesmo se sentindo mulher aos sete anos, foi somente aos 14 que começou a se vestir como menina e a pintar as unhas. “Minha diretora foi contra, fui motivo de brincadeiras entre os meninos, mas enfrentei cada um deles e consegui conquistar o meu espaço”, diz.
Preconceito
A escola municipal onde estudava chegou a pedir que ela não usasse roupas muito extravagantes. Nas aulas, Jéssica se recusava a jogar futebol, como a maioria dos meninos, preferia o vôlei, e diz que sofreu muito preconceito. “Tenho três irmãos e uma irmã e eles não me aceitaram. Apesar disso, não me importava em ser quem eu realmente era”, diz a transexual.
Quando entrou no ensino médio, em uma escola estadual, tudo ficou mais difícil, já que a escola a proibia de usar roupas femininas. O bullying em salas superlotadas a fizeram desistir dos estudos, depois apenas três meses. “Não aguentava mais lutar (contra o preconceito). Algo que faz muita falta agora, porque para qualquer emprego o ensino médio é exigido”, afirma.
Fonte: Diário Web
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