Redução de 37,2% em gravidez de jovens brasileiras. Maioria foi não intencional e o boom esperado por especialistas durante a pandemia não aconteceu

O nascimento de bebês gestados por meninas em idades entre 10 e 19 anos caiu 37,2% em duas décadas. Levantamentos preliminares junto ao Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos – Sinasc, do Ministério da Saúde, indicam que o boom da gravidez na adolescência na pandemia, projetado por especialistas, não aconteceu.
Os registros do Sinasc, de 2020 até agosto de 2021, indicam que a gravidez dessas meninas continua em redução. Os resultados foram levantados em pesquisa da secretária da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Infanto Puberal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), ginecologista Denise Leite Monteiro. As informações foram obtidas através do Sinasc e vão até 2019.
Os números oficiais de 2020 devem ser consolidados em fevereiro. Mesmo preliminarmente, a projeção é de que em 2020 a taxa de natalidade brasileira continue muito baixa, mas é entre jovens de 10 a 19 anos que mantém a recomposição da população. Os dados de nascidos vivos, de mães entre 10 e 19 anos, de 2000 a 2019, indicam queda de 26% na gravidez de meninas de 10 a 14 anos.
Entre as adolescentes entre 15 e 19, a redução foi de 40,7%, mas os números ainda preocupam, uma vez que a gestação não planejada na adolescência pode resultar da falta de conhecimento sobre sua saúde e as consequências, bem como o acesso limitado aos métodos contraceptivos eficazes.
O levantamento ainda mostrou que 66% das gestações não são intencionais, significando que, a cada 10 adolescentes que engravidam, sete referem ter sido “sem querer”.
A empresária Bárbara Rezende engravidou pela primeira vez aos 17 anos. “Conheci o pai do meu primeiro filho, Caio, hoje com 9 anos, aos 16, e não tinha planejado. Usava o anticoncepcional, mas um tratamento com antibióticos cortou o efeito, pelo menos foi a informação recebida à época.”
O pai tinha 15 anos. Foi um relacionamento conturbado, de acordo com a empresária, que passou por depressão pós-parto e não teve ajuda. “Foi traumatizante na época.” Mas ela reconhece que a experiência a ajudou a amadurecer. “Errei muito na primeira maternidade, arrependo de muitas decisões tomadas à época.”
Apesar dos atritos, reconhece alguns dos apoios dados pela família da mãe, cuja casa chegou a deixar. “Cheguei a tentar tirar a própria vida durante a depressão.” Bárbara se casou com outra pessoa e foi mãe novamente aos 25, em uma gravidez planejada, “totalmente diferente. A maioria das meninas que engravidam na adolescência é por falta de estrutura familiar. Minha mãe me criou sozinha, ela não conversava muito, mas me levava ao médico para prevenir”.
DESCUIDO Larissa Sabrina Liberato, de 23, engravidou aos 17 e diz que foi por “descuido e certa irresponsabilidade”, atribuída à idade. A adolescente havia terminado de se formar no ensino médio e já planejava entrar na faculdade no ano seguinte.
“Tive que interromper os planos. Até questões de lazer. Via amigas passeando, se divertindo, e eu não podia.” Ela assumiu a responsabilidade de não passar os cuidados para terceiros. “Primeiro, contei para minha mãe. Ficou nervosa, brigou, e depois de um tempo aceitou. Já meu pai, achei que iria me matar. Mas aceitou de cara, foi o que sempre me apoiou desde o início e nunca deixou faltar nada.” Hoje, Larissa mora com as duas filhas na casa de seu pai.
O pai da Manoela, de 5 anos, tinha 20 à época em que Larissa engravidou e reagiu bem, mas quando a filha completou um ano deixou de fazer contato, bem como a família dele. “Há uns três anos, ofereceu pensão, mas recusei.”
Aos 22, ela teve um aborto espontâneo e aos 23 nova gravidez com o atual companheiro, mas moram em casas separadas. “A família dele abraçou as duas e tem me ajudado muito. Vou pra lá nos fins de semana e às vezes viajamos juntos. Meu pai também é muito carinhoso com as minhas filhas e nos apoia.”
TAXAS ELEVADAS
Em 2000, a gravidez na adolescência representava 23,4% de todos os nascimentos. Em 2019, retraiu para 14,7%. Houve redução de 0,7 ponto percentual nessa faixa, em 2020. Mesmo com tantos métodos contraceptivos, as taxas ainda são consideradas altas entre adolescentes.
Um estudo do Ministério da Saúde, em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), apontou mais de 19 mil nascidos vivos de mães entre 10 a 14 anos, anualmente.
O relatório “Situação da População Mundial”, do Fundo de População da Organização das Nações Unidas (ONU), em relação à taxa de fecundidade em adolescentes, revela que o Brasil ultrapassa a média mundial com 53 adolescentes grávidas para cada mil, enquanto em outras partes do mundo são 41 meninas.
Quando comparado o índice de fecundidade de mulheres de todas as faixas etárias, o Brasil está abaixo da média global de 2,5 filhos, apresentando 1,7 por mulher.
Para recompor a população, cada mulher precisaria dar à luz a dois filhos. Números preliminares para 2020 apontam que é entre jovens de 10 a 19 anos que se mantém a recomposição da população.
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