Muitos casais preferem manter uma união informal porque não podem cumprir as exigências religiosas
A celebração do matrimônio de 242 casais há pouco mais de uma semana em Quixadá trouxe à tona uma questão adversa aos registros oficiais. Na cerimônia coletiva 178 deles firmaram o contrato nupcial cartorário. Desse total, apenas 64 receberam o consentimento da Igreja Católica. Alguns por outras opções religiosas, mas a maioria não pode dizer "sim" por conta dos impedimentos previstos na doutrina cristã. Já foram casados no altar.
Coordenador da Pastoral da Família da Paróquia de São Francisco das Chagas por mais de uma década, o professor Rivaldo Leite, atribui o desgaste do convívio familiar como principal dificuldade para manter o juramento. Entre os pobres, o alcoolismo costuma ser o maior motivo das separações. Nas classes sociais mais elevadas é a traição. Quem acaba se separando tem pelo menos um motivo para o término do relacionamento. A culpa é sempre do cônjuge. A separação é inevitável, e a procura por outro companheiro ou companheira também.
Esse frenesi matrimonial é responsável por um fenômeno social ainda não considerado pelos órgãos oficiais. Todavia, pelas estimativas do juiz de Paz de Quixadá, Ribamar Lima, mais de 10 mil casais de sua cidade vivem amasiados. Esse tipo de união nem é prevista legalmente. Mas está se tornando cada vez mais comum. Reflete o receio dos cônjuges em terem que recorrer novamente ao Cartório ou à Justiça e principalmente a responsabilidade diante de Deus. Acabam preferindo o relacionamento informal.
Ribamar Lima se refere às exigências da Justiça Cível. As custas com a separação amigável, no Cartório, é de R$ 250,00 em média. Leva uma semana ou pouco mais para a papelada ficar pronta. A petição tem que ser feita por um advogado. Mas nos casos litigiosos, quando há bens e filhos, pode demorar uma eternidade. Esse é exatamente o tempo proposto pelos sacerdotes para as juras de amor diante de Deus. Mas quando não é possível, o caminho para a separação religiosa também pode ser longo.
Responsável pela cerimônia coletiva em Quixadá, o padre Vitoriano Ambrósio explica ser de competência do Tribunal Eclesiástico a anulação dos matrimônios católicos. Em média levam de seis a sete meses até o parecer final do representante da Cúria Diocesana. Os motivos mais comuns estão relacionados a menores de 16 anos, casamentos forçados e impotência. Nesses casos, a separação é consentida sem muitas exigências. Mas para ele a consciência pesa mais, daí, preferem não se comprometer novamente. O motorista Alberto da Silva Filho e a costureira Aparecida dos Santos Martins concordam com o pároco. Ele chega ao seu terceiro relacionamento conjugal. A companheira passa pela experiência da primeira separação. Da última ela casou de véu e grinalda. Agora, o sonho de ser feliz é bem maior.
Nos censos de 2007 e 2008, relativos a casamentos civil, levantados pelo IBGE, foram registrados respectivamente 37.798 e 44.173 no Ceará. Em Quixadá, 217 e 263. O número de separações no Estado atingiu 1.920 e 1.691 nesses dois anos. Na cidade onde o casamento coletivo foi realizado ocorreram apenas 13 e 16 desuniões legais. A soma dos divórcios nos 184 municípios cearenses chegou a 5.089 e 4.739. Em Quixadá foram 31 e 23. Ainda não estão disponibilizados dados de 2009 e deste ano.
Quanto aos números de matrimônios religiosos católicos, conforme o diácono Antônio Ximenes, da Arquidiocese de Fortaleza, cada uma das nove Dioceses existentes no Estado age de forma independente, tem autonomia perante o Vaticano. Por esse motivo as estatísticas não são centralizadas em uma única unidade da Igreja Católica no Ceará.
MAIS INFORMAÇÕES
Paróquia de Santa Terezinha (88) 3412.1523
Cartório do 1° Ofício de Quixadá (88) 3412.0491
Alex Pimentel
Fonte: Diário do Nordeste
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