O número de meninas entre 10 e 14 anos que estão em algum tipo de união estável no Brasil chega a 66 mil. O alto índice de casamento infantil e suas consequências foi tema de discussão na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados na quarta-feira (16).
Conforme o relatório "Fechando a Brecha: Melhorando as Leis de Proteção à Mulher Contra a Violência", lançado pelo Banco Mundial, em parceria com a ONU Mulheres e o Fundo de População das Nações Unidas, a cada ano, 15 milhões de garotas com menos de 18 anos se casam em todo o mundo.
Segundo as especialistas que participaram da audiência pública na Câmara, além de as meninas se afastarem das escolas, o casamento infantil é a maior causa de gravidez na adolescência e pode gerar consequências como: taxas mais altas de mortalidade materna e infantil, aumento do risco de infecções, de realização de abortos e maior exposição a situações de violência e assédio pelo parceiro.
Brechas
Apesar de a lei brasileira estipular 18 anos como a idade legal para a união matrimonial e permitir a anulação do casamento infantil, o País tem o maior número de casos na América Latina e o quarto no mundo.
Na opinião de Paula Tavares, autora do relatório e especialista em Desenvolvimento do Setor Privado do Banco Mundial, é preciso repensar o ordenamento jurídico nacional, pois existem brechas. Se houver consentimento dos pais, por exemplo, as meninas podem se casar a partir dos 16 anos. “Um dispositivo ainda comum em diversos países é a permissão do casamento infantil – e, em geral, sem limite de idade – se a moça estiver grávida. Esse é o caso do Brasil”, acrescentou.
Impactos socioeconômicos
Paula Tavares também destacou que o casamento infantil traz impactos socioeconômicos para o Estado. “Uma menina que se casa mais cedo sai da escola, não contribui de forma plena para a sociedade. Sem falar que a gravidez precoce, comum nessas relações, gera mais custos ao sistema de saúde”, comentou.
A representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Fernanda Lopes, relatou que, em 2014, o número de nascidos de mães entre 15 e 19 anos no Brasil foi de 600 mil e que, entre as mulheres de 20 a 24 anos casadas, 36% oficializaram a relação antes de completar 18 anos.
“É necessário tirar essa situação da invisibilidade. Todas as meninas têm direito a viver sem violência, sem serem exploradas, a terem oportunidades de alcançar o seu potencial. A legislação e as políticas públicas têm de agir para coibir os casamentos infantis”, argumentou Fernanda.
Myllena Calasans de Matos, colaboradora do Comitê da América Latina e Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem), acrescentou que, além de propor modificações, o Congresso deve fiscalizar a aplicação das leis de proteção à mulher existentes.
Novas audiências
Como desdobramento da discussão do relatório do Banco Mundial, a deputada Erika Kokay (PT-DF), que solicitou o debate de quarta-feira, anunciou que serão realizadas mais três audiências sobre o tema. “Temos de aprofundar o assunto para que possamos sugerir mudanças na legislação”, ressaltou.
Leia mais:
Congresso reforma lei e elimina casamento infantil em El Salvador
Lei brasileira tem brechas que incentivam o casamento infantil no país, alerta Banco Mundial
Os tristes números do casamento infantil no mundo
Fonte: Agência Câmara
Posts relacionados
ARQUIVOS
- agosto 2025
- julho 2025
- junho 2025
- maio 2025
- abril 2025
- março 2025
- fevereiro 2025
- janeiro 2025
- dezembro 2024
- novembro 2024
- outubro 2024
- setembro 2024
- agosto 2024
- julho 2024
- junho 2024
- maio 2024
- abril 2024
- março 2024
- fevereiro 2024
- janeiro 2024
- dezembro 2023
- novembro 2023
- outubro 2023
- setembro 2023
- agosto 2023
- julho 2023
- junho 2023
- maio 2023
- abril 2023
- março 2023
- fevereiro 2023
- janeiro 2023
- dezembro 2022
- novembro 2022
- outubro 2022
- setembro 2022
- agosto 2022
- julho 2022
- junho 2022
- maio 2022
- abril 2022
- março 2022
- fevereiro 2022
- janeiro 2022
- dezembro 2021
- novembro 2021
- outubro 2021
- setembro 2021
- agosto 2021
- julho 2021
- junho 2021
- maio 2021
- abril 2021
- março 2021
- fevereiro 2021
- janeiro 2021
- dezembro 2020
- novembro 2020
- outubro 2020
- setembro 2020
- agosto 2020
- julho 2020
- junho 2020
- maio 2020
- abril 2020
- março 2020
- fevereiro 2020
- janeiro 2020
- dezembro 2019
- novembro 2019
- outubro 2019
- setembro 2019
- agosto 2019
- julho 2019
- junho 2019
- maio 2019
- abril 2019
- março 2019
- fevereiro 2019
- janeiro 2019
- dezembro 2018
- novembro 2018
- outubro 2018
- setembro 2018
- agosto 2018
- julho 2018
- junho 2018
- maio 2018
- abril 2018
- março 2018
- fevereiro 2018
- janeiro 2018
- dezembro 2017
- novembro 2017
- outubro 2017
- setembro 2017
- agosto 2017
- julho 2017
- junho 2017
- maio 2017
- abril 2017
- março 2017
- fevereiro 2017
- janeiro 2017
- dezembro 2016
- novembro 2016
- outubro 2016
- setembro 2016
- agosto 2016
- julho 2016
- junho 2016
- maio 2016
- abril 2016
- março 2016
- fevereiro 2016
- janeiro 2016
- dezembro 2015
- novembro 2015
- outubro 2015
- setembro 2015
- agosto 2015
- julho 2015
- junho 2015
- maio 2015
- abril 2015
- março 2015
- fevereiro 2015
- janeiro 2015
- dezembro 2014
- novembro 2014
- outubro 2014
- setembro 2014
- agosto 2014
- julho 2014
- junho 2014
- maio 2014
- abril 2014
- março 2014
- fevereiro 2014
- janeiro 2014