Recivil
Blog

Em quatro anos, cartórios registram 19,5 mil casamentos gays no país


RIO — O direito ao casamento é uma das principais bandeiras do movimento LGBT em todo o mundo. No Brasil, os cartórios são obrigados a fazer o registro graças a uma resolução do Conselho Nacional de Justiça, aprovada em maio de 2013, e desde então 19.522 casais de pessoas do mesmo sexo formalizaram o matrimônio, revela a pesquisa Estatísticas do Registro Civil 2016, divulgada nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

 

Entre 2013 e 2015, o número de casamentos homoafetivos avançou consecutivamente, mas no ano passado, cujos dados foram revelados pela pesquisa, houve uma queda de 4,5%, de 5.614 em 2015 para 5.354. Foram 2.411 matrimônios com ambos os cônjuges masculinos e 2.943 casais com cônjuges femininos.

 

O número pode parecer alto, mas representa apenas 0,49% dos 1.095.535 casamentos civis formalizados em 2016. No período de quatro anos, os 19.522 matrimônios entre pessoas do mesmo sexo são apenas 0,45% do total de 4.391.800 registros. Para Marcelle Esteves, vice-presidente do Grupo Arco-Íris, esse baixo percentual é reflexo do sucateamento das políticas públicas voltadas para a população LGBT.

 

— Particularmente, eu não acho o número baixo, pensando que há dez anos nem era possível fazer esse tipo de estatística — comentou. — Mas o que a gente vê é que mesmo após anos da “obrigatoriedade” alguns cartórios ainda têm resistência a formalizar o casamento. A gente sempre recebe esse tipo de queixa, e as pessoas acabam desistindo. E também há uma falta de políticas públicas. Aqui no Rio estamos vendo o sucateamento do programa Rio Sem Homofobia.

 

A ativista ressalta que o casamento para a população LGBT vai além da questão emotiva, é pela garantia de direitos. Marcelle contou que, recentemente, o grupo recebeu a denúncia de uma pessoa que foi casada informalmente por 40 anos e, após a morte do cônjuge, precisou lutar com a família pelo direito à casa onde vivia.

 

— Antes, os casais tinham que provar que viviam juntos. O casamento serve para legitimar esse direito que ainda não é reconhecido — avaliou Marcelle.

 

Marcelo Cerqueira luta pelo direito ao casamento, mas não pretende se casar – ARQUIVO PESSOAL


Para Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia, o número de casamentos gays é “considerável”, já que a comunidade LGBT não tinha o hábito de casar.

 

— Essa cultura de casamento não existia por causa da opressão. E considerando que a homofobia ainda é muito grande, 19 mil casamentos em quatro anos é considerável — avaliou o ativista.

 

Ativista de longa data, Marcelo lutou pelo direito do casamento ser estendido à população LGBT. Ele mesmo viveu com outro homem por 18 anos, mas após a separação não pretende repetir a experiência.

 

— Continua sendo uma grande bandeira do movimento, mas eu acho que o casamento vai acabar. As novas gerações são mais livres com a sexualidade, e a instituição do casamento não faz mais sentido. As pessoas não têm mais paciência e interesse nesse tipo de convivência — opinou o ativista. — Essas pessoas que são contra a população LGBT deveriam é aplaudir, porque esse amor romântico do casamento vai ser preservado pelos gays.

 

 

Fonte: Gazeta online

Posts relacionados

Comissão pede informações sobre concurso para serviços notariais

Giovanna
12 anos ago

Assembleia Legislativa de São Paulo sedia seminário sobre Registro Civil Nacional

Giovanna
10 anos ago

Parto anônimo poderá ser regulamentado no Brasil

Giovanna
12 anos ago
Sair da versão mobile