Neste sábado, 06 de abril de 2013, foi protocolado no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) um pedido para que o órgão uniformize a atuação extrajudicial nos procedimentos de habilitação direta do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, bem como de conversões de uniões estáveis em casamento.
Protocolado pelo deputado federal JEAN WYLLYS e seu partido (PSOL-RJ), em parceria com a ASSOCIAÇÃO DOS REGISTRADORES DE PESSOAS NATURAIS DO RIO DE JANEIRO (ARPEN-RJ), o pedido, caso acatado, ampliará o direito ao casamento civil para casais do mesmo sexo para todo o território nacional, sem necessidade de autorização judicial e sem nenhum trâmite a mais dos que são feitos para casais de diferente sexo.
O pedido foi elaborado pelo advogado Paulo Roberto Iotti Vecchiatti, especialista em Direito da Diversidade Sexual e Direito Homoafetivo. Iotti fez sustentação oral perante o Supremo Tribunal Federal no julgamento que reconheceu a união estável homoafetiva e no julgamento do Superior Tribunal de Justiça que reconheceu o direito ao casamento civil direto (sem prévia união estável) a casais homoafetivos.
Hoje, casais homoafetivos já podem se casar sem a judicialização em cerca de 10(dez) estados do país. Isso só foi possível graças a decisão do STF — que reconhece as uniões estáveis homoafetivas como entidades familiares, impondo a observância de todos os seus efeitos e CONSEQUÊNCIAS —, bem como a decisão do STJ, que reconheceu o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Uma das conseqüências da união estável é ver facilitada sua conversão em casamento.
O pedido se faz necessário, pois, apesar das decisões do STF, do STJ e dos dez estados que já regulamentaram a questão, em alguns estados, casais gays e de lésbicas ainda encontram dificuldades em garantir o registro de seus casamentos dependendo da comarca. Isso gera uma diferenciação geográfica, já que os casais, por exemplo, de São Paulo ou da Bahia acabam, na prática, tendo mais direitos do que nos Estados que ainda não autorizaram ou transferindo sua residência temporariamente para onde é permitido.
"O país e o mundo estão cada vez mais igualitários. A atuação do CNJ é necessária exatamente para permitir a extensão destas garantias administrativas, de maneira uniforme, em todo o território nacional. Afinal, o cidadão de um estado não tem menos direitos fundamentais do que o de outro. O STF determinou que fossem observados, na união estável homoafetiva, todos os efeitos e conseqüências da heteroafetiva e, como o processo de habilitação é administrativo e não jurisdicional, precisamos que o CNJ respalde a atuação do registrador civil brasileiro, guardião primário da cidadania”, afirma Eduardo Corrêa, secretário-geral da Arpen-RJ, entidade parceira do deputado Jean Wyllys nessa ação.
O deputado federal pelo Rio de Janeiro Jean Wyllys também acredita no sucesso da empreitada. “Infelizmente, nosso congresso nacional ainda está em descompasso com os avanços sociais que movem o mundo para frente. O ideal seria que o legislativo ampliasse esse direito civil aos homossexuais, mas já que ele se apequenou, vamos ao CNJ. O ministro Joaquim Barbosa (atual presidente do CNJ) votou a favor da união estável no STF, outros membros do conselho já se mostraram favoráveis aos direitos civis da comunidade LGBT. É um absurdo que em um país como o Brasil, homossexuais ainda tenham menos direitos do que os heterossexuais, em especial o do reconhecimento social e jurídico de nossas famílias”, afirmou o deputado.
Segundo o advogado Paulo Iotti, "é fora de dúvida a procedência do pedido de regulamentação administrativa do casamento civil homoafetivo por conversão de prévia união estável por isto ser uma das consequências lógicas da decisão do STF que reconheceu o direito de casais homoafetivos à união estável, e, quanto ao casamento civil direto, se ele é possível por conversão, então evidentemente também o é por habilitação direta, por ser absolutamente ilógico e juridicamente incompreensível entendimento em sentido contrário".
Em apoio à luta pelo casamento civil igualitário existe, desde abril de 2012, a Campanha Nacional pelo Casamento Civil Igualitário. Lançada em diferentes estados e cidades do Brasil, conta com o apoio de importantes figuras da cultura, da música, do cinema e da televisão brasileira, como Ney Matogrosso, Chico Buarque, Caetano Veloso, Daniela Mercury, Arlette Salles, Alexandre Nero, Marisa Monte, Mônica Martelli, Zélia Duncan, Preta Gil, MV Bill, Mariana Ximenes, Iván Lins, Tuca Andrada, Serjão Loroza, Sandra de Sá, Rita Beneditto, Sônia Braga, Bebe l Gilberto e outros. Esses e outros artistas aderiram a um abaixo-assinado a favor dos projetos de lei e de emenda constitucional impulsionados por Jean Wyllys e Érika Kokay. Muitos deles participaram de uma primeira série de vídeos lançada no ano passado. Tudo sobre a campanha pode ser conferido nos canais oficiais da mesma.
O pedido do deputado Jean Wyllys e da Arpen-RJ se produz poucos dias depois da aprovação no Senado uruguaio, por 23 votos contra 8, da lei de casamento civil igualitário, que terá a sanção definitiva no próximo dia 10, quando a Câmara dos Deputados aprovar as alterações ao projeto original introduzidas pelo Senado. O casamento igualitário está em vias de ser aprovado, também, na França, na Inglaterra e na Colômbia, e está sendo julgado na Corte Suprema de Justiça dos Estados Unidos. O presidente desse país, Barack Obama, declarou seu apoio à legalização, da mesma forma que seu par da França, François Hollande, e o primeiro-ministro inglês, David Cameron.
Fonte: Arpen-RJ
Posts relacionados
ARQUIVOS
- agosto 2025
- julho 2025
- junho 2025
- maio 2025
- abril 2025
- março 2025
- fevereiro 2025
- janeiro 2025
- dezembro 2024
- novembro 2024
- outubro 2024
- setembro 2024
- agosto 2024
- julho 2024
- junho 2024
- maio 2024
- abril 2024
- março 2024
- fevereiro 2024
- janeiro 2024
- dezembro 2023
- novembro 2023
- outubro 2023
- setembro 2023
- agosto 2023
- julho 2023
- junho 2023
- maio 2023
- abril 2023
- março 2023
- fevereiro 2023
- janeiro 2023
- dezembro 2022
- novembro 2022
- outubro 2022
- setembro 2022
- agosto 2022
- julho 2022
- junho 2022
- maio 2022
- abril 2022
- março 2022
- fevereiro 2022
- janeiro 2022
- dezembro 2021
- novembro 2021
- outubro 2021
- setembro 2021
- agosto 2021
- julho 2021
- junho 2021
- maio 2021
- abril 2021
- março 2021
- fevereiro 2021
- janeiro 2021
- dezembro 2020
- novembro 2020
- outubro 2020
- setembro 2020
- agosto 2020
- julho 2020
- junho 2020
- maio 2020
- abril 2020
- março 2020
- fevereiro 2020
- janeiro 2020
- dezembro 2019
- novembro 2019
- outubro 2019
- setembro 2019
- agosto 2019
- julho 2019
- junho 2019
- maio 2019
- abril 2019
- março 2019
- fevereiro 2019
- janeiro 2019
- dezembro 2018
- novembro 2018
- outubro 2018
- setembro 2018
- agosto 2018
- julho 2018
- junho 2018
- maio 2018
- abril 2018
- março 2018
- fevereiro 2018
- janeiro 2018
- dezembro 2017
- novembro 2017
- outubro 2017
- setembro 2017
- agosto 2017
- julho 2017
- junho 2017
- maio 2017
- abril 2017
- março 2017
- fevereiro 2017
- janeiro 2017
- dezembro 2016
- novembro 2016
- outubro 2016
- setembro 2016
- agosto 2016
- julho 2016
- junho 2016
- maio 2016
- abril 2016
- março 2016
- fevereiro 2016
- janeiro 2016
- dezembro 2015
- novembro 2015
- outubro 2015
- setembro 2015
- agosto 2015
- julho 2015
- junho 2015
- maio 2015
- abril 2015
- março 2015
- fevereiro 2015
- janeiro 2015
- dezembro 2014
- novembro 2014
- outubro 2014
- setembro 2014
- agosto 2014
- julho 2014
- junho 2014
- maio 2014
- abril 2014
- março 2014
- fevereiro 2014
- janeiro 2014