Número de documentos lavrados em cartórios bateu recorde no estado de São Paulo e nas cidades do ABCD
A quantidade de pessoas que se interessam em organizar a divisão de bens antes de morrer para evitar brigas entre parentes aumentou. O número de testamentos feitos em cartórios no estado de São Paulo bateu recorde em 2011, de acordo com o Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo. No ano passado, foram lavrados 7.467 testamentos.
No ABCD, o crescimento acontece continuamente desde 2009. As cidades com mais testamentos lavrados nos últimos 12 meses foram Santo André, com 181, e São Caetano, com 155. Em 2010, foram 160 e 118, respectivamente.
Pelo menos duas pessoas por dia vão até o 2º Cartório de Notas andreense para pedir informações sobre como funciona e quanto custa lavrar um testamento. Os interessados são desde pessoas que possuem muitos bens até moradores que têm apenas um imóvel. “Só essa semana já lavrei dois testamentos. Hoje, as pessoas têm mais conhecimento e buscam se informar mais. Este documento é uma declaração de vontade e é um dos atos mais solenes do Direito. Não tem como esse documento não ser cumprido”, explicou a segunda tabeliã do local, Patrícia Moreira de Mello Alves.
Para o advogado Carlo Frederico Müller, este documento, temos atrás, sempre foi para membros de elite, que tinham muito patrimônio, mas hoje pode e deve ser feito por qualquer pessoa. Essa atitude evita brigas na família. “Você trabalha a vida toda para quando morrer os filhos terem algum patrimônio. De repente não é feito um testamento e começam as brigas. Conhecemos histórias de irmãos que não se falam há muitos anos por isso e a família é destruída”, afirmou.
O especialista esclareceu que é possível fazer testamento para todos os tipos de bens. Na prática, significa que joias, pratarias, quadros e até cachorros podem entrar na listagem de documentos. “A pessoa pode dividir anel por anel, se quiser. Lembrando sempre que 50% dos bens devem ser destinados de maneira igualitária para os herdeiros legítimos e os outros 50% pode fazer o que quiser. Pode fazer quantos testamentos quiser, mas o último é o que será válido.”
Como fazer?/ Os interessados precisam ter mais de 18 anos e estar em perfeitas condições mentais. Basta ir até o cartório de notas da cidade e informar o desejo. Para lavrar o documento é preciso levar duas testemunhas que não sejam citadas no testamento e que, de preferência, sejam mais novas que o interessado. O custo do testamento é de R$ 1.132,58. Todos os documentos são registrados na Central de Testamentos do estado, ou seja, mesmo que a pessoa não conte a ninguém, no futuro a família saberá.
Se organizar para garantir tranquilidade
O aposentado José Giudici, de 82 anos, está pensando em fazer um testamento. O motivo, segundo ele, é deixar tudo resolvido antes que a hora chegue. É preciso apenas esperar que o inventário dos bens da ex-esposa fique pronto. Além do imóvel em que mora, o chefe da família vai colocar os na lista também os móveis do quarto. O motivo é a história da cama, guarda-roupa e penteadeira, que têm 85 anos de história na família.
“Quero fazer uma reunião com meus quatro filhos para decidir o que vai ficar com quem. Não quero ninguém brigando nem antes e nem depois que eu me vá. Mesmo que as coisas sejam velhas, não quero briga na família”, explicou.
Já a aposentada Shirley Cassucci Carapiá, de 71 anos, pensa diferente de seu José e afirmou que resolveu a situação de maneira diferente. Os bens, mesmo que comprados recentemente, estão todos no nome dos quatro filhos. “Prefiro fazer isso abertamente porque se faz testamento um vai achar que não foi justo e aí já viu. Melhor deixar do jeito que está”, diz.
Fonte: Rede Bom Dia
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