A facilidade de desfazer um casamento, a crescente emancipação feminina e a fluidez dos relacionamentos (intolerância, egoísmo de uma das partes) são os principais motivos elencados pelo advogado especialista em Direito de Família, Marcelo Carvalho, que podem explicar o número de divórcios em Sergipe. Dados fornecidos pelo Tribunal de Justiça de Sergipe e pela Associação de Notários e Registradores de Sergipe (Anoreg) mostram que foram registrados no ano passado, 4.729 processos de divórcios, enquanto que de janeiro a julho deste ano foram 2.612 pedidos. A maioria dos divórcios é feita judicialmente.
Em média, o advogado Marcelo Carvalho, recebe no escritório um casal por mês desejando fazer o divórcio. Em alguns casos, dialogando com os dois, ele consegue reverter a situação e sugere que ele façam uma terapia.
Sobre os motivos já citados para o rompimento do casamento, Carvalho lembra que há 20 anos, a mulher vivia subjugada, às vezes dependia financeiramente do homem e mantinha o casamento como se fosse escrava. "Felizmente isso mudou, a mulher emancipou-se, conseguiu essa libertação", comemorou.
Junto a isso, o aumento do número de divórcios ocorre, também, porque a população cresceu. E há, ainda, a facilitação. Se o casal não tiver filhos, pode fazer o divórcio num cartório (ver boxe). "Há o rateio patrimonial de forma consensual, tudo é lavrado em cartório e pronto", disse. Marcelo lembra que antigamente o casamento tinha um conteúdo religioso muito grande e a igreja pregava a indissolubilidade daquele ato. "Hoje já é mais flexibilizado e é mais fácil descasar do que casar", frisou.
Mas há, também, segundo Marcelo, casamentos que são desfeitos por motivos fúteis. "Não posso generalizar, mas as pessoas têm sido intolerantes. Temos divórcios por motivos banais, com um deles dizendo que quer ser feliz, vulgarizando o casamento. "Fragiliza esse ato por motivo egoístico", completa. "Vou dar um exemplo: quando um dos cônjuges disse que se sente sufocado. Uma outra é quando, um deles tem uma melhora financeira e quer usufruir desses prazeres sozinho. Ou seja, é uma visão egoísta de um deles e também de ingratidão com relação aquele que o ajudou num momento financeiro difícil", disse.
Fonte: Jornal da Cidade Online
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