Recivil
Blog

Clipping – Valor Econômico – Custo alto com pessoal reduz lucro da atividade

Os bacharéis de direito que decidirem aventurar-se por concursos para cartório não devem imaginar que se trata de uma atividade com ganhos fabulosos garantidos. Além de não se perpetuar mais o mito da “empresa familiar” dada pelo Estado, hoje é preciso investir. “Se eu não tratar você bem, você vai embora”, diz Paulo Tupinambá Vampré, 14º Tabelião de Notas de São Paulo. Diferente dos registros de imóveis e dos civis de pessoas naturais, os de notas não contam com a exclusividade sobre alguma circunscrição em que atuam e, portanto, sofrem concorrência. 

 

 

As margens de lucro são restritas: chegam a 15% para Paulo Gaiger Ferreira, 26º Tabelião de Notas, sediado na Praça João Mendes, Centro e local mais concorrido pelos cartórios de São Paulo. 

 

 

Ilzete Verderamo Marques, 33ª Oficial do Registro Civil das Pessoas Naturais de São Paulo, herdou o de 1938 na Mooca, Zona Leste paulistana, da mãe. Ela conta que usa os cerca de 53% dos emolumentos que sobram dos atos de reconhecimento de firma, autenticação, lavratura de procurações e emissão de certidões para pagar seus custos: aluguel, água, luz, telefone, internet e 12 funcionários. Em São Paulo, alguns registros civis acumulam funções de tabelionatos de notas. Nos atos do registro civil de pessoas, a fatia do cartório é de 83%. 

 

 

“Os custos de pessoal e encargos no registro de notas chegam a 70%, e vão mais uns 10% a 15% em estrutura. Ele administra um quadro de 123 funcionários em Pinheiros, zona oeste paulistana: 50 atendentes e 30 escreventes, que reconhecem firma, autenticam documentos e assinam em nome do tabelião. 

 

 

Vampré estabeleceu como meta para manter sua certificação ISO o atendimento em até 12 minutos. O horário é anotado quando o cliente pega a ficha e sai impresso na nota do caixa no final. O tabelião escolhe um dia de movimento no mês para tabular o tempo gasto. Já os registros de imóveis têm 15 dias de prazo para liberar o documento, compara, podendo investir menos. 

 

 

Sérgio Jacomino, diretor de relações internacionais do Instituto de Registro de Imóveis do Brasil (Irib), diz que uma concorrência no registro de imóveis prejudicaria a segurança jurídica, tal como escolher o juiz de um processo. Ele diz que o trabalho demanda tempo, como o comprador gastaria se fosse investigar a vida do imóvel. Jacomino, responsável pelo 5º Registro de Imóveis de São Paulo, do Pari, região central da capital paulista, diz que o sistema utilizado no Brasil desde 1846 é o mesmo de todos os países em que existe registro de imóveis. Já se os tabeliães de notas tivessem a mesma reserva de mercado, ele avalia que seria como escolher o médico pela região. 

 

 

Se as pessoas têm liberdade para escolher o tabelionato de notas a usar, os tabeliães também têm mais liberdade para escolher onde irão se instalar, de acordo com o mercado. Esse seria o motivo para haver tantos cartórios nos centros das grandes cidades. Mas Jacomino avalia que este é um movimento do passado e que os cartórios lá se mantêm por inércia. “Um dos cartórios de notas mais promissores está em Santo Amaro (zona sul paulistana), região muito populosa e com demanda por estes serviços”, diz. Os registros de imóveis não são proibidos de se instalar fora de sua circunscrição, desde que continuem fazendo apenas registros de imóveis dela. 

 

 

O novo investimento dos cartórios que começa a tomar força é para a certificação digital. O que no início pareceu uma ameaça ao monopólio de comprovar a veracidade de documentos hoje mostra-se uma oportunidade de os cartórios virarem autoridades de registro, ligadas à Receita Federal e à Certificadora da Justiça. (FF)

 

 

Fonte: Valor Econômico

Posts relacionados

Programa DNA do TJAP fará coleta em dez municípios

Giovanna
13 anos ago

TJRR divulga respostas do Concurso Público de Roraima

Giovanna
12 anos ago

Recivil renova o contrato do seguro de vida coletivo para os registradores civis de Minas Gerais

Giovanna
6 anos ago
Sair da versão mobile