Governador deve assinar decreto hoje, após seminário sobre desburocratização
Autenticar documentos também não será preciso para registros ou pedidos que envolvam os órgãos públicos do Estado
O governo do Estado de São Paulo deve assinar hoje decreto que elimina qualquer exigência de reconhecimento de firma ou autenticação de documentos para registros ou pedidos que envolvam órgãos públicos estaduais. O objetivo é diminuir o custo dessas operações e a burocracia no serviço público.
A medida terá maior impacto em áreas como a Junta Comercial do Estado de São Paulo (onde são constituídas novas empresas ou fechadas e alteradas as já existentes), a Secretaria da Fazenda e a Cetesb, responsável pela concessão de licenças ambientais no Estado.
A partir de agora, as cópias simples de documentos e assinaturas sem o reconhecimento em cartório terão de ser aceitas pelos servidores em todos os órgãos públicos e entidades da administração direta, autárquica e em fundações do Estado. Nos cartórios de São Paulo, onde são realizados cerca de 12 milhões de atos desse tipo todos os meses, o preço de uma firma reconhecida varia de R$ 2,75 a R$ 7,15, dependendo do documento, e a autenticação custa R$ 1,85.
O decreto só não valerá nos casos em que houver a preponderância ou a sobreposição de uma lei que exija a autenticação ou a firma reconhecida. Documentos emitidos pelo Detran, por exemplo, continuam sujeitos às normas do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito). Ficam de fora também documentos que estejam sob a alçada do Poder Judiciário, como contratos de aluguel ou registro de imóveis. A medida foi gestada no âmbito do Programa Estadual de Desburocratização e coordenada por Guilherme Afif Domingos, titular da Sert (Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho) do Estado.
A secretaria está firmando ainda convênio com o Instituto Hélio Beltrão, dedicado a encontrar caminhos para a redução da burocracia no país, com o objetivo de adotar outras ações nesse sentido. Segundo relatório do Banco Mundial, o Brasil ocupa a 119ª posição entre 155 países na facilidade para realizar negócios. Embora o tempo de abertura de empresas varie de caso a caso, a meta estadual é restringir a 15 dias o prazo para a criação de uma nova firma, envolvendo todos os órgãos estaduais, municipais e federais.
Sem amparo legal
Pesquisa encomendada pelo Programa Estadual de Desburocratização em vários órgãos públicos estaduais constatou que as exigências hoje vigentes para reconhecimento de firmas e autenticação de documentos foram sendo geradas sem nenhum controle ao longo dos últimos anos. Na prática, cada órgão acabou criando sua própria regra, sem amparo legal que determinasse as exigências. Em pelo menos 15 atos entre os mais praticados em repartições estaduais a exigência ocorre e agora será eliminada.
“A medida vale para todas as repartições. O ônus da prova de que a autenticação ou o reconhecimento da firma é necessário caberá agora ao servidor do outro lado do balcão”, diz Afif Domingos. Segundo o decreto, “eventual exigência do servidor (de autenticação ou reconhecimento de firma) terá de ser feita por escrito, indicando o dispositivo legal em que ela está prevista”. Em meados do ano passado, o Estado do Rio adotou medida semelhante. Lá, no entanto, a não-exigência de cópia autenticada foi substituída pela necessidade de uma “carimbagem” que o próprio servidor público faz ao confrontar documento original e cópia no momento da entrega dos papéis.
A assinatura do decreto pelo governador José Serra (PSDB) será hoje ao final de seminário organizado no Palácio dos Bandeirantes com representantes de entidades comerciais e industriais do Estado para discutir outras medidas destinadas à diminuição da burocracia.
Para cartórios, medida facilita mais fraudes
O presidente da seção de São Paulo do Colégio Notarial do Brasil (representa os cartórios de notas), Paulo Vampré, qualifica como “besteira” a medida adotada pelo governo estadual para eliminar a exigência de autenticação e reconhecimento de firmas no Estado.
Segundo ele, a medida deve ampliar o número de fraudes e estimular a criação de empresas fantasmas. “Não fomos consultados sobre a medida. Creio que o governo esteja atirando no “pássaro errado”, pois a burocracia está na Receita Federal, no INSS e na prefeitura. O tempo gasto com cartórios é mínimo”, afirmou. Vampré não soube precisar quanto do faturamento dos cartórios de notas sai dos procedimentos que serão eliminados. Ele reconheceu que a maioria das autenticações e reconhecimentos de firma não tem amparo legal (embora sejam exigidas hoje, segundo pesquisa realizada pelo Estado). “As pessoas acabam vindo ao cartório para ter mais segurança”, disse.
Segundo João Geraldo Piquet Carneiro, advogado e presidente do Instituto Hélio Beltrão, que assessora o Estado de São Paulo, é o temor com perda de arrecadação que está na raiz da burocratização das várias esferas do Estado brasileiro. “Há uma dificuldade enorme em mexer na burocracia por conta do temor de que isso, de alguma forma, implique menor arrecadação de impostos. E, quando se cria burocracia, há um terreno fértil para o surgimento de “facilitadores”, assim como ao lado de toda fila acaba aparecendo um carrocinha de cachorro-quente”, diz.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo
Posts relacionados
ARQUIVOS
- agosto 2025
- julho 2025
- junho 2025
- maio 2025
- abril 2025
- março 2025
- fevereiro 2025
- janeiro 2025
- dezembro 2024
- novembro 2024
- outubro 2024
- setembro 2024
- agosto 2024
- julho 2024
- junho 2024
- maio 2024
- abril 2024
- março 2024
- fevereiro 2024
- janeiro 2024
- dezembro 2023
- novembro 2023
- outubro 2023
- setembro 2023
- agosto 2023
- julho 2023
- junho 2023
- maio 2023
- abril 2023
- março 2023
- fevereiro 2023
- janeiro 2023
- dezembro 2022
- novembro 2022
- outubro 2022
- setembro 2022
- agosto 2022
- julho 2022
- junho 2022
- maio 2022
- abril 2022
- março 2022
- fevereiro 2022
- janeiro 2022
- dezembro 2021
- novembro 2021
- outubro 2021
- setembro 2021
- agosto 2021
- julho 2021
- junho 2021
- maio 2021
- abril 2021
- março 2021
- fevereiro 2021
- janeiro 2021
- dezembro 2020
- novembro 2020
- outubro 2020
- setembro 2020
- agosto 2020
- julho 2020
- junho 2020
- maio 2020
- abril 2020
- março 2020
- fevereiro 2020
- janeiro 2020
- dezembro 2019
- novembro 2019
- outubro 2019
- setembro 2019
- agosto 2019
- julho 2019
- junho 2019
- maio 2019
- abril 2019
- março 2019
- fevereiro 2019
- janeiro 2019
- dezembro 2018
- novembro 2018
- outubro 2018
- setembro 2018
- agosto 2018
- julho 2018
- junho 2018
- maio 2018
- abril 2018
- março 2018
- fevereiro 2018
- janeiro 2018
- dezembro 2017
- novembro 2017
- outubro 2017
- setembro 2017
- agosto 2017
- julho 2017
- junho 2017
- maio 2017
- abril 2017
- março 2017
- fevereiro 2017
- janeiro 2017
- dezembro 2016
- novembro 2016
- outubro 2016
- setembro 2016
- agosto 2016
- julho 2016
- junho 2016
- maio 2016
- abril 2016
- março 2016
- fevereiro 2016
- janeiro 2016
- dezembro 2015
- novembro 2015
- outubro 2015
- setembro 2015
- agosto 2015
- julho 2015
- junho 2015
- maio 2015
- abril 2015
- março 2015
- fevereiro 2015
- janeiro 2015
- dezembro 2014
- novembro 2014
- outubro 2014
- setembro 2014
- agosto 2014
- julho 2014
- junho 2014
- maio 2014
- abril 2014
- março 2014
- fevereiro 2014
- janeiro 2014