FERNANDO DE NORONHA, PE. Turistas estrangeiros e brasileiros que buscam a paz da natureza no arquipélago de Fernando de Noronha não sabem a onda de inquietação por trás dos cenários de cartão-postal. Quem conta a história são as mulheres da principal de suas ilhas, a única habitada. Nativas ou residentes temporárias, elas estão impedidas de parir na localidade, que fica a 545 quilômetros de Recife. Quem nasce na ilha, mesmo sendo filho de não nativos, tem direito vitalício de permanência em Noronha.
As grávidas são obrigadas a deixar casa e família, aos sete meses de gestação, para esperar a hora do parto no continente.
As que trabalham antecipam a licença-maternidade e reclamam que, no retorno, restam poucos dias para cuidar do bebê.
Queixam-se da falta de assistência em Recife, onde muitas não conhecem ninguém
Cinta para apertar a barriga
Para a administração de Fernando de Noronha, a iniciativa se justifica pela saúde da mãe e do bebê: o hospital São Lucas, único do arquipélago, não teria como garantir atendimento a parturientes e recém-nascidos.
Para o Conselho Distrital do Arquipélago, que representa os moradores, a medida visa a impor limites ao crescimento demográfico da ilha, que tem 3.500 habitantes (2.600 nativos) e 800 turistas, em média, por dia. Pais sem carteira de residência permanente acreditam que o controle é para impedir que as crianças ganhem cidadania noronhense – assim, acabam morando fora da ilha, o que desestimula os pais a ficar também.
As grávidas de Noronha já levaram a questão à seccional pernambucana da Ordem dos Advogados do Brasil. A maioria vai para Recife, reclamando. Outras batem pé e não saem.
Marinalva Fonseca da Silva, 33 anos, chegou pequena em Noronha e nunca teve carteira de moradora permanente. Seus dois primeiros filhos são criados pelos avós, na Paraíba. Aos sete meses de gravidez, foi enviada a Recife, com passagem e despesas hospitalares pagas pelo poder público. Na Casa do Estudante, isolada, decidiu voltar à ilha, apertando a barriga com uma cinta. Tentaram embarcá-la de volta, mas ela resistiu e teve o filho no arquipélago.
Poucas horas depois foi embarcada para Recife com o bebê.
Segundo o hospital de Noronha, estava com restos placentários.
O Salve Aéreo foi mobilizado. Segundo a unidade onde foi internada na capital, a Cisam-UPE, a paciente não tinha restos placentários e recebeu alta. "Pósparto normal, sem internamento", ratificou o diagnóstico. O caso foi à OAB por Marilda Martins Costa (PCdoB), do Conselho Distrital de Fernando de Noronha.
Marinalva poderá morar na ilha com o bebê; sua filha foi a única registrada este ano como nascida em Noronha, no Cartório Único de Registro Civil e Tabelionato de Notas. Em 2009, foram registradas 29 crianças no cartório, todas nascidas em Recife.
Em 2010, foram sete; só a de Marinalva nasceu em Noronha.
O GLOBO não teve acesso ao total de filhos paridos por moradoras da ilha em Recife.
Fonte: Jornal O Globo
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