Mário Rodolfo Barbosa e Eddy Lewton de Jesus têm o mesmo ressentimento trazido da infância. São dois filhos com uma busca em comum: o reconhecimento do pai.
Um filho passa 12 anos sem ir à escola, vítima da paralisia infantil, cresce sem assistência médica e não tem, nem mesmo, uma certidão de nascimento. Esse filho, já adulto, fica frente a frente com o homem que não pôde ou não quis assumir a paternidade dele. O que você, no lugar desse filho, faria? Seria capaz de perdoar? Essa é a história deste domingo (4) em “Quem é meu pai?”.
O educador social Mário Rodolfo Barbosa e o operador de máquinas Eddy Lewton de Jesus têm o mesmo ressentimento trazido da infância. São dois filhos com uma busca em comum: o reconhecimento do pai.
Rodolfo vive com a mãe e os tios em Maceió, mas o desejo de conhecer o pai natural persistiu. O que só aconteceu quando ele fez 16 anos em um encontro rápido que se repetiu poucas vezes. No caso de Eddy Lewton, foi o avô que assumiu o lugar de pai, inclusive quando o operador de máquinas teve paralisia infantil.
Durante muito tempo, os dois esperaram por uma reconciliação, mas nunca foram procurados pelos pais. Por essa razão, Rodolfo e Eddy Lewton resolveram agir e resolveram pedir o reconhecimento de paternidade.
O homem apontado como pai de Rodolfo comparece a contragosto ao Fórum de Maceió. Diante do jovem, não reconhece o filho, exige exame de DNA e põe em dúvidas as intenções sobre o rapaz. As conciliadoras tentam aproximar os dois, mas o homem deixa claro que não quer contato. Resta, então, recolher o material genético das bochechas deles.
Passados alguns dias, o exame de DNA feito pela equipe do laboratório de genética da Universidade Federal de Alagoas não deixa dúvida: a paternidade está cientificamente comprovada. Mesmo assim, o pai do jovem recebe o resultado e vai embora sem dizer uma palavra.
A nova certidão de nascimento já tem o sobrenome que Rodolfo queria. Ele e a mãe vão embora do fórum juntos com o documento nas mãos.
Recordar para si próprio e para o pai ausente cada momento vivido pode ser a grande chance da reconciliação. Até os 12 anos, Eddy Lewton não estudou. Quando melhorou de vida, a mãe pegou o garoto de volta, que até então morava com os avós. Mas a rejeição do pai o marcou para sempre.
Com a morte dos avós e da mãe, ele resolveu lutar pelo reconhecimento de paternidade. O comerciante Diolino da Silva compareceu ao fórum de Salvador e pediu o exame de DNA. O resultado sai em poucos dias e confirma a paternidade. O desabafo represado há 38 anos vem na forma de carta lida para o próprio pai na frente do juiz. A despedida acanhada talvez seja o início da reconciliação.
O que é o projeto Pai Presente?
A Corregedoria Nacional de Justiça, órgão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), editou no dia 6 de agosto de 2010 o PROVIMENTO nº12, que regulamenta medidas a serem adotadas pelos juízes e tribunais brasileiros para reduzir o número de pessoas sem paternidade reconhecida no país.
A regulamentação visa garantir o cumprimento da Lei 8.560/92, que determina ao registrador civil que encaminhe ao Poder Judiciário informações sobre registros de nascimento nos quais não conste o nome do pai.
A medida permite que o juiz chame a mãe do menor ou o interessado (se maior de 18 anos e capaz) e peça que ela declare quem é o pai do seu filho. O suposto pai é notificado e chamado para se manifestar em uma audiência para dizer se assume ou não a paternidade daquela criança.
O projeto Pai Presente utilizou informações do Censo Escolar de 2009, fornecidas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que apontaram que aproximadamente 5 milhões de alunos das redes de ensino pública e privada não tinham o nome do pai na matrícula.
O Provimento nº12 foi baseado em experiências bem sucedidas já realizadas pela Associação dos Registradores das Pessoas Naturais (Arpen) e pelos Tribunais de Justiça de alguns estados, em especial como São Paulo, Alagoas, Mato Grosso e Santa Catarina.
Em alguns estados, os Tribunais de Justiça e o Ministério Público já desenvolviam projetos na mesma linha, como é o caso do Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que têm projetos de mesmo nome, e outros estados, como Núcleo de Promoção à Filiação, em Alagoas; Pai Legal, no Amapá; Meu Pai é legal, no Amazonas; É Legal ter Pai, em Goiás; Justiça nas Escolas, no Piauí; Centro de Reconhecimento de Paternidade, em Minas Gerais; Paternidade Responsável, em Santa Catarina e também em São Paulo, entre outros.
Fonte: Fantástico
Leia mais:
Série ‘Quem é meu pai’ mostra como ter o registro do pai na certidão`
Posts relacionados
ARQUIVOS
- agosto 2025
- julho 2025
- junho 2025
- maio 2025
- abril 2025
- março 2025
- fevereiro 2025
- janeiro 2025
- dezembro 2024
- novembro 2024
- outubro 2024
- setembro 2024
- agosto 2024
- julho 2024
- junho 2024
- maio 2024
- abril 2024
- março 2024
- fevereiro 2024
- janeiro 2024
- dezembro 2023
- novembro 2023
- outubro 2023
- setembro 2023
- agosto 2023
- julho 2023
- junho 2023
- maio 2023
- abril 2023
- março 2023
- fevereiro 2023
- janeiro 2023
- dezembro 2022
- novembro 2022
- outubro 2022
- setembro 2022
- agosto 2022
- julho 2022
- junho 2022
- maio 2022
- abril 2022
- março 2022
- fevereiro 2022
- janeiro 2022
- dezembro 2021
- novembro 2021
- outubro 2021
- setembro 2021
- agosto 2021
- julho 2021
- junho 2021
- maio 2021
- abril 2021
- março 2021
- fevereiro 2021
- janeiro 2021
- dezembro 2020
- novembro 2020
- outubro 2020
- setembro 2020
- agosto 2020
- julho 2020
- junho 2020
- maio 2020
- abril 2020
- março 2020
- fevereiro 2020
- janeiro 2020
- dezembro 2019
- novembro 2019
- outubro 2019
- setembro 2019
- agosto 2019
- julho 2019
- junho 2019
- maio 2019
- abril 2019
- março 2019
- fevereiro 2019
- janeiro 2019
- dezembro 2018
- novembro 2018
- outubro 2018
- setembro 2018
- agosto 2018
- julho 2018
- junho 2018
- maio 2018
- abril 2018
- março 2018
- fevereiro 2018
- janeiro 2018
- dezembro 2017
- novembro 2017
- outubro 2017
- setembro 2017
- agosto 2017
- julho 2017
- junho 2017
- maio 2017
- abril 2017
- março 2017
- fevereiro 2017
- janeiro 2017
- dezembro 2016
- novembro 2016
- outubro 2016
- setembro 2016
- agosto 2016
- julho 2016
- junho 2016
- maio 2016
- abril 2016
- março 2016
- fevereiro 2016
- janeiro 2016
- dezembro 2015
- novembro 2015
- outubro 2015
- setembro 2015
- agosto 2015
- julho 2015
- junho 2015
- maio 2015
- abril 2015
- março 2015
- fevereiro 2015
- janeiro 2015
- dezembro 2014
- novembro 2014
- outubro 2014
- setembro 2014
- agosto 2014
- julho 2014
- junho 2014
- maio 2014
- abril 2014
- março 2014
- fevereiro 2014
- janeiro 2014