Rio – A tão sonhada casa própria terá que esperar. E não é por falta de dinheiro. Sorteada no programa Minha Casa, Minha Vida, a copeira Cirlene Jardim da Silva, de 38 anos, viu desmoronar a chance de se livrar do aluguel ao descobrir que não existia ‘oficialmente’. O drama começou quando ela tentou tirar a segunda via da certidão de nascimento, necessária para ocupar o apartamento de dois quartos, sala e cozinha em Santa Cruz.
Sua surpresa foi saber que o cartório no qual foi registrada era clandestino. Mas o problema não parava por aí. Todos os documentos de uma vida inteira se tornavam inválidos, porque tinham sido feitos a partir de uma certidão falsa. “Entrei em desespero. Por toda minha vida só tive a cópia da certidão. Ganho R$ 650 líquidos e pago R$ 400 de aluguel em uma casa no Mandela, em Manguinhos. Não sobra quase nada para eu viver. Esse apartamento iria me ajudar muito, me tirar do sufoco”, afirmou a copeira. O cartório clandestino onde o registro foi feito fica em Belém.
A notícia foi dada por uma amiga do Rio, que foi a Belém fazer uma visita e levou a certidão de Cirlene para retirar a segunda via do documento. Desde então, ela recebe ajuda da Defensoria Pública e da Secretaria de estado de Assistência Social e Direitos Humanos (Seasdh), que tem um núcleo que atua para solucionar problemas de subregistros.
“Não consegui meu imóvel ainda. Fui sorteada em fevereiro. Recebi uma declaração de que tenho o apartamento no condomínio do programa”, explicou Cirlene, que só poderá entrar na casa nova quando a situação for resolvida. A copeira não está sozinha. Há um público enorme que nunca tirou uma certidão de nascimento. Só de crianças de até 10 anos calcula-se que existam 28 mil, no estado. São casos como o de Iraci Leandro da Silva, moradora de Vila Kennedy, que casou, teve dois filhos e até os 79 anos não entrava nas estatísticas oficiais do governo, nem se beneficiava de nenhum programa social, porque não tinha documentos.
“Fizemos buscas em todo o país. Ficou comprovado que ela jamais havia sido registrada. O Judiciário determinou a elaboração do documento de registro civil tardio. Agora, ela tem identidade, CPF e o reconhecimento formal do sistema de saúde público”, explicou a assistente social Karla Ferreira, da Seasdh.
Rede ligará maternidade e cartório
É de olho nas futuras gerações que se pode erradicar os casos de subregistros. Para isso, foi criado um projeto no estado aperfeiçoando um programa que já existe, e que permite que mães façam o registro do bebê no hospital onde deram à luz. “Estamos trabalhando numa rede interligada. A criança nasce e, se a mãe quiser, o registro é feito em outro município do Rio de Janeiro, ainda na maternidade. Criamos um sistema que liga todos os cartórios do estado a um programa que estará em 60 maternidades. Por enquanto, isso já ocorre em 18 delas, mas vamos aumentar a rede”, explicou a presidente da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais, Priscilla Milhomem, que atua com a Seasdh no projeto.
Sem registro: 94% de desaparecidos
Sair da maternidade com uma carteira de identidade do recém-nascido. O Programa Novo Cidadão permite que as mães deixem o hospital com o documento, que vem junto com a certidão da criança. A novidade começou há dois meses e foi implantado, como projeto pioneiro, no Hospital Estadual da Mulher, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. A unidade foi escolhida por ser referência no atendimento. Em 2013, foram feitos 4.795 partos no hospital. Até junho, já tinham sido 2.085 partos. A iniciativa busca ajudar muitas famílias. Segundo a Fundação para a Infância e Adolescência, das 2.795 crianças já localizadas pelo Programa SOS Crianças Desaparecidas, 94% não tinham identificação civil.
Fonte: O Dia
Posts relacionados
ARQUIVOS
- agosto 2025
- julho 2025
- junho 2025
- maio 2025
- abril 2025
- março 2025
- fevereiro 2025
- janeiro 2025
- dezembro 2024
- novembro 2024
- outubro 2024
- setembro 2024
- agosto 2024
- julho 2024
- junho 2024
- maio 2024
- abril 2024
- março 2024
- fevereiro 2024
- janeiro 2024
- dezembro 2023
- novembro 2023
- outubro 2023
- setembro 2023
- agosto 2023
- julho 2023
- junho 2023
- maio 2023
- abril 2023
- março 2023
- fevereiro 2023
- janeiro 2023
- dezembro 2022
- novembro 2022
- outubro 2022
- setembro 2022
- agosto 2022
- julho 2022
- junho 2022
- maio 2022
- abril 2022
- março 2022
- fevereiro 2022
- janeiro 2022
- dezembro 2021
- novembro 2021
- outubro 2021
- setembro 2021
- agosto 2021
- julho 2021
- junho 2021
- maio 2021
- abril 2021
- março 2021
- fevereiro 2021
- janeiro 2021
- dezembro 2020
- novembro 2020
- outubro 2020
- setembro 2020
- agosto 2020
- julho 2020
- junho 2020
- maio 2020
- abril 2020
- março 2020
- fevereiro 2020
- janeiro 2020
- dezembro 2019
- novembro 2019
- outubro 2019
- setembro 2019
- agosto 2019
- julho 2019
- junho 2019
- maio 2019
- abril 2019
- março 2019
- fevereiro 2019
- janeiro 2019
- dezembro 2018
- novembro 2018
- outubro 2018
- setembro 2018
- agosto 2018
- julho 2018
- junho 2018
- maio 2018
- abril 2018
- março 2018
- fevereiro 2018
- janeiro 2018
- dezembro 2017
- novembro 2017
- outubro 2017
- setembro 2017
- agosto 2017
- julho 2017
- junho 2017
- maio 2017
- abril 2017
- março 2017
- fevereiro 2017
- janeiro 2017
- dezembro 2016
- novembro 2016
- outubro 2016
- setembro 2016
- agosto 2016
- julho 2016
- junho 2016
- maio 2016
- abril 2016
- março 2016
- fevereiro 2016
- janeiro 2016
- dezembro 2015
- novembro 2015
- outubro 2015
- setembro 2015
- agosto 2015
- julho 2015
- junho 2015
- maio 2015
- abril 2015
- março 2015
- fevereiro 2015
- janeiro 2015
- dezembro 2014
- novembro 2014
- outubro 2014
- setembro 2014
- agosto 2014
- julho 2014
- junho 2014
- maio 2014
- abril 2014
- março 2014
- fevereiro 2014
- janeiro 2014