Ministros ouvidos pelo Correio evitam críticas às recentes decisões sobre o tema e revelam tendência de também autorizar oficialmente a união. Mostram-se ainda prontos para julgar as consequências sobre o entendimento da própria Corte.
O debate sobre a legalidade do casamento civil entre homossexuais deve chegar em breve ao Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação é dos próprios ministros da Corte. O Correio ouviu ontem quatro magistrados do órgão e nenhum deles fez críticas às recentes decisões de dois juízes brasileiros que oficializaram o casamento civil entre gays, em São Paulo e em Brasília. A posição dos ministros mostra uma tendência do STF de também autorizar oficialmente o casamento homoafetivo.
Em maio, ao julgar uma ação protocolada pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), o STF definiu por unanimidade que o relacionamento entre casais homossexuais configura uma "entidade familiar". Relator do processo, o ministro Carlos Ayres Britto detalhou ontem que a decisão reconhece "o direito à união estável entre pessoas do mesmo sexo, com todas as consequências e os efeitos próprios da união entre os heteroafetivos". Britto, no entanto, alertou que o STF não listou os efeitos da decisão. "Se alguém tem dúvidas quanto a essa ou aquela consequência, como, por exemplo, o compartilhamento do sobrenome ou a divisão do patrimônio automaticamente, que venha (questionar o Supremo) pelas vias adequadas", afirmou.
O ministro Marco Aurélio Mello foi enfático ao opinar que não há dúvidas de que o casamento civil está englobado pela decisão tomada em maio pela Suprema Corte. "Se a união estável entre homem e mulher alcança o casamento, creio que, por via de consequência, temos a placitação (aprovação) desse instituto", destacou. Questionado sobre as recentes decisões quanto aos casamentos gays, ele defendeu a liberdade dos juízes estaduais. "De forma linear, sem estabelecer exceção, o Supremo bateu o martelo no sentido de que se aplica a união homoafetiva ao Código Civil no que disciplina a união estável entre homem e mulher."
Análises
O ministro Gilmar Mendes se mostrou mais cauteloso. "No julgamento (de maio), houve uma consideração sobre a eventual possibilidade de conversão da união estável em casamento, mas isso não foi objeto de decisão", alertou. Mendes não criticou os magistrados que autorizaram o casamento entre homossexuais, mas ponderou que é preciso analisar as decisões com "calma e cautela".
Luiz Fux avaliou que a decisão do STF sobre a união estável homoafetiva resulta em pelo menos 100 consequências, que, em algum momento, terão de ser analisadas nos casos concretos. "Entendo que as dúvidas devam vir caso a caso para o Supremo", disse o ministro. Segundo a Associação de Notários e Registradores do DF (Anoreg), não foi registrado nenhum outro casamento ontem.
SEMINÁRIO HOJE O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto, relator da proposta que autorizou a união estável entre pessoas do mesmo sexo, e o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) participam hoje do seminário O combate à homofobia: em busca do direito colorido, última palestra da Semana Direito e Gênero, promovida pela Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). O tema entrou na pauta do evento tanto por causa da decisão do STF, que reconheceu o direito da união estável homoafetiva, quanto da iminente votação do projeto de lei nº 122, que criminaliza a homofobia. A palestra está prevista para as 9h30 no Auditório Joaquim Nabuco, na Faculdade de Estudos Sociais Aplicados. É aberta ao público.
Fonte: STF
Posts relacionados
ARQUIVOS
- agosto 2025
- julho 2025
- junho 2025
- maio 2025
- abril 2025
- março 2025
- fevereiro 2025
- janeiro 2025
- dezembro 2024
- novembro 2024
- outubro 2024
- setembro 2024
- agosto 2024
- julho 2024
- junho 2024
- maio 2024
- abril 2024
- março 2024
- fevereiro 2024
- janeiro 2024
- dezembro 2023
- novembro 2023
- outubro 2023
- setembro 2023
- agosto 2023
- julho 2023
- junho 2023
- maio 2023
- abril 2023
- março 2023
- fevereiro 2023
- janeiro 2023
- dezembro 2022
- novembro 2022
- outubro 2022
- setembro 2022
- agosto 2022
- julho 2022
- junho 2022
- maio 2022
- abril 2022
- março 2022
- fevereiro 2022
- janeiro 2022
- dezembro 2021
- novembro 2021
- outubro 2021
- setembro 2021
- agosto 2021
- julho 2021
- junho 2021
- maio 2021
- abril 2021
- março 2021
- fevereiro 2021
- janeiro 2021
- dezembro 2020
- novembro 2020
- outubro 2020
- setembro 2020
- agosto 2020
- julho 2020
- junho 2020
- maio 2020
- abril 2020
- março 2020
- fevereiro 2020
- janeiro 2020
- dezembro 2019
- novembro 2019
- outubro 2019
- setembro 2019
- agosto 2019
- julho 2019
- junho 2019
- maio 2019
- abril 2019
- março 2019
- fevereiro 2019
- janeiro 2019
- dezembro 2018
- novembro 2018
- outubro 2018
- setembro 2018
- agosto 2018
- julho 2018
- junho 2018
- maio 2018
- abril 2018
- março 2018
- fevereiro 2018
- janeiro 2018
- dezembro 2017
- novembro 2017
- outubro 2017
- setembro 2017
- agosto 2017
- julho 2017
- junho 2017
- maio 2017
- abril 2017
- março 2017
- fevereiro 2017
- janeiro 2017
- dezembro 2016
- novembro 2016
- outubro 2016
- setembro 2016
- agosto 2016
- julho 2016
- junho 2016
- maio 2016
- abril 2016
- março 2016
- fevereiro 2016
- janeiro 2016
- dezembro 2015
- novembro 2015
- outubro 2015
- setembro 2015
- agosto 2015
- julho 2015
- junho 2015
- maio 2015
- abril 2015
- março 2015
- fevereiro 2015
- janeiro 2015
- dezembro 2014
- novembro 2014
- outubro 2014
- setembro 2014
- agosto 2014
- julho 2014
- junho 2014
- maio 2014
- abril 2014
- março 2014
- fevereiro 2014
- janeiro 2014