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Cartórios participam de casamento comunitário LGBTI em Belo Horizonte

“O casamento civil dá bastante transparência e clareza para alguns assuntos que ainda são tabus. O registro civil prova e comprova o amor, em primeiro lugar, e a igualdade entre dois sexos”. Essas são as palavras de Max Emiliano, de 29 anos, logo após receber sua certidão de casamento.

Ele e Júnior Moscardini, também de 29 anos, foram um dos 18 casais que participaram da cerimônia do III Casamento Comunitário LGBTI de Belo Horizonte, realizada nesta sexta-feira (27.09).

Para o casal, casar no civil era um sonho. Eles acreditam que a iniciativa deles pode ser um exemplo para outros casais. “Vai ajudar muito para futuras pessoas que querem adotar alguém e não conseguem, porque não têm uma união estável, por exemplo. Nós pretendemos adotar futuramente, e acredito que o casamento civil irá nos ajudar a abrir essa porta também”, informou Júnior.

O sonho de Max e Júnior tornou-se possível graças ao projeto de iniciativa da Defensoria Pública de Minas Gerais com o apoio dos cartórios de Registro Civil das Pessoas Naturais de Belo Horizonte. O presidente do Recivil, Genilson Gomes, participou da mesa solene do evento, que também contou com a participação de diversas autoridades e parceiros do projeto.

A cerimônia aconteceu na Sala Minas Gerais da Orquestra Filarmônica, no Barro Preto, com direito ao som da tradicional marcha nupcial, troca de alianças e bem-casado.

O defensor público da Defensoria Especializada de Direitos Humanos, Coletivos e Socioambientais, Vladimir de Souza Rodrigues, agradeceu aos cartórios de Registro Civil pela parceria e falou do trabalho feito por eles. 

“Com a desjudicialização, o trabalho do cartório é cada vez mais relevante, e muitas questões que antes ficávamos anos e anos brigando na justiça, hoje resolvemos de maneira bem singela nos cartórios, que assumiram o ônus de prestar orientação, de oferecer acesso a direitos e a responsabilidade de acolher as pessoas”, disse o defensor público.

Ele ainda lamentou o fato de muitos casais não participarem da cerimônia por esconderem o relacionamento das famílias. Dos 63 casais inscritos que já haviam feito o processo de habilitação no cartório, somente 18 estiveram presentes para receber a certidão de casamento. O restante terá que buscar a certidão no próprio cartório.

"É uma sociedade tão doentia, que às vezes é preciso esconder coisas das pessoas que, em tese, são as que mais nos amam. Ter que esconder nosso relacionamento, nosso afeto, é inaceitável. Se pudermos fazer alguma coisa para mudarmos esse estado das coisas nós temos que fazer”, afirmou Vladimir.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação do Recivil

 

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