Com mais e melhor qualificados funcionários, os cartórios extrajudiciais estão se tornando um negócio ágil e rentável para a maioria dos empreendedores. Este ano, foram empossados os últimos dos tabeliães aprovados no concurso de 2013.
Às 7h50, o funcionário público Odorico Lago era uma das três pessoas que aguardavam a abertura do 13º Tabelionato de Notas, no Garcia, em Salvador. Nem chegaram a formar fila. A falta de ansiedade para pegar a senha dez minutos antes de as portas se abrirem é, para ele, sinal de que o atendimento ao público está melhor, cinco anos após a privatização dos cartórios. “Normalmente, sou atendido em seis, sete minutos”, afirma Lago, que saiu do Pau Miúdo para autenticar cópia do documento único de transferência de veículo (DUT).
Empossada como tabeliã em 2016, a mineira Carolina Catizane transferiu em julho deste ano a sede do cartório que mantinha no Sieiro, região da Liberdade, para a Avenida Tancredo Neves, área já servida por cartórios. “Aqui estão as empresas. Quem mora no subúrbio vem aqui, mas quem mora por aqui não se desloca para bairros distantes”, explica Carolina, que ainda está formando sua carteira de clientes, mas se diz otimista. “Bahia. O futuro é aqui”, declara a tabeliã, que já teve cartórios em Mato Grosso do Sul e no Rio Grande do Norte.
Problemas
Uma das veteranas do setor, a tabeliã Conceição Gaspar investiu em uma nova infraestrutura para o 12º Tabelionato de Notas, no Itaigara, que agora tem até elevador. “Os cartórios melhoraram muito, o atendimento é rápido, mas a dificuldade ainda é conseguir mão de obra qualificada”, diz Conceição, que antes da privatização tinha 21 funcionários e agora conta com 66 trabalhadores; “60% deles têm nível superior, e o restante está em formação”, diz.
A seleção do pessoal é feita pelos próprios tabeliães. “Todos os meus funcionários são celetistas”, afirma Conceição, referindo-se ao fato de que ela segue as normas de contratação de pessoal da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
Nesse contexto, nem todos os gestores privados estão contentes. O responsável por um dos 15 tabelionatos de notas de Salvador, que pediu anonimato, exibiu uma planilha com o que seu estabelecimento arrecadou no último mês de setembro com reconhecimento de firmas, autenticações e certidões: pouco mais de R$ 131 mil, que, descontados os 52% de taxas, ficaram limitados a R$ 40 mil para o pagamento de despesas fixas como água, luz e 22 salários.
A modernização do setor de cartórios causou, por outro lado, transtornos a muitos estudantes que se matricularam em cursos no exterior e tiveram problemas para a validação de documentos que contavam apenas com a assinatura eletrônica do tabelião, obrigatória no Brasil, mas que era rejeitada em outros países.
“Esses problemas já foram superados”, disse Conceição. Desde setembro do ano passado, quatro cartórios de Salvador passaram a autenticar documentos, seguindo as instruções da Apostila de Haia, tratado internacional assinado por 112 países, inclusive o Brasil, que elimina a exigência de legalização de documentos públicos estrangeiros.
Fonte: A Tarde
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