Recivil
Blog

“As ações realizadas para que o indivíduo privado de liberdade tenha acesso à documentação civil básica atendem aos princípios da individualização da pena e permitem o consequente resgate da cidadania”

O Registro Civil das Pessoas Naturais é a primeira garantia de cidadania do brasileiro. Por meio da Certidão de Nascimento ou de Casamento, é possível ter acesso a outros documentos como CPF, RG, carteira de trabalho e, também, à educação, trabalho e serviços de saúde.

Entretanto, como garantir a premissa básica da cidadania aos detentos e jovens acautelados quando, muitas vezes, chegam para o cumprimento de suas sentenças nas unidades prisionais ou socioeducativas sem seus registros civis, seja porque perderam ou ainda porque não tiveram acesso? E como ficam os registros das crianças nascidas dentro do sistema prisional?

Garantir o direito à documentação civil de um indivíduo privado de liberdade é tarefa para os assistentes sociais nas unidades, em parceria com os cartórios de RCPN. De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), quando há a necessidade do detento adquirir algum registro civil, a unidade prisional aciona diretamente o cartório da comarca de registro do preso. Esse contato é feito via telefone e/ou por meio de ofício, contendo o esboço da demanda, e, a partir daí, aguarda-se o deferimento do oficial registrador, a expedição e o despacho do documento ao estabelecimento prisional requerente.

Além da documentação dos privados de liberdade, o Sejusp também cuida da documentação de registro de nascimento de filhos de custodiados. Para isso, o responsável pelo recém-nascido aciona o serviço social da unidade prisional para informar sua demanda, seja para registro de nascimento, seja para reconhecimento de paternidade. A partir daí, o assistente social providencia o atendimento direto ao familiar ou ao preso demandante. No caso de indicação de paternidade, onde um ou ambos os pais estão sob custódia, o Sejusp assegura o atendimento social e/ou outros serviços que se fizerem necessários, assim como os devidos encaminhamentos.

“As ações realizadas para que o indivíduo privado de liberdade tenha acesso à documentação civil básica atendem aos princípios da individualização da pena e permitem o consequente resgate da cidadania. Além disso, a pessoa documentalmente identificada se torna apta a acessar as políticas públicas e serviços existentes, como participação em cursos profissionalizantes, benefícios emergenciais, tratamento de saúde, ensino, correta identificação nos processos de responsabilização jurídica e subjetiva. Tudo isso contribui diretamente com a humanização da custódia e com a futura reinserção social extramuros daquele indivíduo”, explica Ana Paula Dolabella, superintendente de Humanização do Atendimento do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG), da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

Ainda segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, somente em 2023 foram emitidas 1.142 certidões de nascimento (primeira ou segunda via) e 361 certidões de casamento.

“Todo e qualquer brasileiro tem direito à cidadania e acesso aos serviços básicos oferecidos pelo Governo, seja ele um trabalhador, pai e mãe de família, seja ele um detento, um morador de rua, um indígena. Não importa. Direito é direito. E tanto o Recivil quanto os cartórios de RCPN permanecem à disposição da Justiça para contribuir com a erradicação do subregistro dentro do sistema prisional e garantir a cidadania dos privados de liberdade”, afirma Genilson Gomes, presidente do Sindicato dos Oficiais de Registro Civil de Minas Gerais.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Recivil

Posts relacionados

Artigo – Lei Federal nº 13.484, de 26 de setembro de 2017 (Texto Comentado) – Por: Márcia Fidelis Lima

Giovanna
8 anos ago

Concurso MG – Edital nº 01/2011 – EJEF publica o resultado da perícia realizada dos candidatos portadores de deficiência

Giovanna
12 anos ago

TJSP nega pedido de alteração de sexo em registro civil

Giovanna
12 anos ago
Sair da versão mobile