Washington, EUA. Conforme os legisladores e as Cortes norte-americanas expandem a ideia de "família" no país, casais formados por pessoas do mesmo sexo estão começando a sentir o mesmo tipo de pressão a que os casais heterossexuais já estão habituados: quando terão filhos?
Para alguns, esse é mais um sinal de sua crescente inclusão na sociedade dos Estados Unidos. Já para outros, que ouvem a pergunta insistente no escritório, em jantares e reuniões familiares, a questão pode ser muito mais complicada.
Muitos gays já haviam se resignado à ideia de que nunca seriam aceitos pela sociedade como pais amorosos e, consequentemente, nunca teriam filhos. Eles lamentaram essa perda e seguiram em frente. Assim, as perguntas sobre crianças na família podem desenterrar sentimentos ambíguos e acabar causando conflitos entre o casal.
Logística. O processo também pode ser assustador do ponto de vista logístico e financeiro, pois os pais em potencial lutam com a dúvida sobre adotar ou utilizar uma barriga de aluguel.
Além disso, uma vez com filhos, muitos casais homossexuais ainda enfrentam as críticas inevitáveis – veladas ou não – de quem ainda está desconfortável com a ideia de eles se tornarem pais.
O apoio a pais do mesmo sexo está crescendo em um ritmo constante nos Estados Unidos. Uma pesquisa do Pew Research Center publicada na última semana encontrou, pela primeira vez, um resultado em que a maioria dos entrevistados – 52% – afirmou que casais de gays e lésbicas deveriam ter o direito de adotar filhos. O resultado, em anos anteriores, havia sido de 46% (2008) e de 36% (1999).
Essa mudança na opinião pública e a simples pergunta "vocês terão filhos?" é motivo de admiração por parte de alguns homens gays. Greg Moore, executivo aposentado de 62 anos, balança a cabeça pasmo quando vê casais de jovens homens conversando sobre seus bebês.
Essa possibilidade parecia irremediavelmente fora de alcance quando ele e seu marido, que hoje tem 74 anos, sonhavam em ter filhos.
"Homossexuais não tinham filhos. Somente heterossexuais tinham filhos", ele lembra com melancolia.
Televisão. A cultura pop está ajudando a mudar esse roteiro. Homens gays que são pais ou que consideram a possibilidade estão ganhando mais visibilidade na televisão norte-americana.
Na série "Modern Family", o programa de televisão mais popular do país, o casal homossexual Mitchell e Cameron considerou adotar uma criança na temporada passada.
Em "Scandal", nova série da rede ABC, um membro de meia-idade da Casa Branca lamentava sobre o desejo do parceiro de adotar um bebê da Etiópia. E, neste fim de ano, a nova série da rede NBC, "The New Normal", exibirá a história de um casal gay e da mulher que gerará seu filho.
"A definição de família está, inquestionavelmente, evoluindo", declara o demógrafo do Instituto Williams, Gary Gates.
Inclusão
Nova York. Alguns casais gays que não incluem filhos em seus planos enxergam a mudança de mentalidade a respeito da paternidade por pessoas do mesmo sexo uma questão controversa. Por um lado, eles acolhem o sentimento de inclusão, que vem juntamente com as cobranças. Por outro, têm que conviver com a constante pressão.
John Corvino, 43, professor do departamento de filosofia da Universidade Estadual Wayne, já tem uma resposta pronta para quando lhe perguntam se ele e seu parceiro terão uma criança. "Para tirar a neve da porta e aparar a grama, claro. Para além disso, não", brinca.
Já Tom Lotito e Matt Hay, que se casaram oficialmente em junho, ficaram surpresos com as insistentes perguntas ainda na noite de seu casamento. "Eu falava ‘calma, pessoal, o casamento ainda está acontecendo!’", conta. Ele afirma que nunca quis ter filhos. Seu marido, Hay, é professor de música no ensino fundamental. "Ele lida com mais ou menos 800 crianças por semana. É bom não tê-las junto quando ele vem para casa", comenta Lotito.
Porém, isso não impediu que parentes e amigos continuassem com as cobranças sobre filhos. A mãe de Lotito, Lisa Sanno, que sonha com netos e foi uma das que cobrou a presença de crianças na família ainda no casamento, já está considerando todas as possibilidades para que eles possam ter filhos. Atualmente, ela está apaixonada pela ideia de uma barriga de aluguel, que geraria um neto biológico, e um outro filho, do seu genro. "Eles ainda são jovens, ainda podem mudar de ideia", sonha Lisa.
Fonte: O Tempo
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