Existe papel de pão, o pardo que embrulha começo de dia. Existe papel de embrulhar peixe, aquele que antes circulou informando sobre a saúde, a economia e até a vida dos outros. Existe o papel-moeda, aquele que dita existências e felicidades, une e separa – mas, no fim das contas, nem é capaz de comprar tudo. Existe, pioneiro e acima de todos os outros, o papel de existir – nos sentidos mais simples e mais complexo que houver.
Simples quando nome e sobrenome, data e local de nascimento, nome do pai e da mãe e todos esses dados componentes do que somos são registrados no cartório, preto no branco, selados, oficializando um habitante a mais entre quase 8 bilhões. Complexo porque a nossa existência vai muito além das burocracias, mas é condicionada por elas – temos a identidade fragmentada, numérica, distribuída entre os vários documentos exigidos do início ao fim da vida.
Certidão, papel de existir é sobre negação. De direitos básicos, como saúde, educação e emprego, a quem não tem registro civil de nascimento. Da dignidade que viva sob um teto, a pessoas em situação de rua. Da liberdade de ser, a transexuais que não se enxergam nos rótulos primeiros.
Ouvimos aqui cearenses invisíveis, ausentes dos livros cartoriais, das estatísticas dos governos e das políticas públicas – ou que até constam neles, mas que, junto às cédulas de identidade, CPF, título de eleitor, certidão de nascimento e outros tantos documentos pessoais, perderam um pedaço do existir.
Leia mais:
Sem documentos, população de rua vivencia falta de direitos básicos – Diário do Nordeste
Fonte: Diário do Nordeste
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