São Paulo, sábado de manhã. O Globo Repórter encontrou com a Paula e a Mariana num dos mais tradicionais programas da cidade: café na padaria. As duas e os filhos. Os gêmeos Mia e Gael. Que a Mariana teve e que a Paula também amamentou. Afinal, esta é uma família com duas mães.
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Para a Mia e o Gael, tudo tranquilo. Resolvido como identificar as mães. Mas se agora é simples, o início foi muito complicado. Casar, a Mariana nunca quis, mas com um filho ela sempre sonhou.
“Eu não sabia muito bem como eu ia fazer para ter filhos, porque eu comecei a namorar mulheres eu tinha 17 anos, então eu não conseguia muito equacionar como isso ia dar certo”, diz Mariana Elisabetsky, atriz e dentista.
E com 18 anos, a Mariana descobriu que tinha uma mutação genética, uma predisposição para ter câncer de mama. A solução dos médicos: ter um filho antes dos 30.
“Porque a partir de 30 o risco aumenta demais. E aí a chance de ter câncer e não conseguir engravidar, não conseguir amamentar era muito grande”, conta Mariana.
Uma fertilização in vitro seria uma solução, aí ela conheceu a Paula e dividiu o sonho de ser mãe.
“Eu nunca tinha pensado em namorar meninas, quando a gente se conheceu eu achei que ela queria ser minha amiga”, revela Paula Izzo, cenógrafa.
“Ela demorou muito pra entender”, comenta Mariana.
Mas entendeu. E foi tudo muito rápido. A Mariana tinha 29 anos. Não podia esperar. As duas foram morar juntas. E veio a gravidez. Que as famílias, uma delas judia, comemoraram.
“A minha estava soltando rojões. Quando eu contei pra minha mãe ela já tinha caixas e caixas de roupa guardadas”, conta Mariana.
“E a sua família”, pergunta a repórter Zileide Silva.
“A minha família, pra eles era tudo muito recente, né? Então eu acho que eles lidaram muito bem”, responde Paula.
A Paula também lidou bem com a vontade enorme de amamentar.
“Eu fiz um tratamento e aí comecei a produzir leite, uma semana antes deles nascerem eu já tinha. E na sala de parto desde que nasceram já foi cada um para um peito. Mas eu nunca tive muito volume porque pra mim tanto fazia. A experiência de amamentar e criar um vinculo já era sensacional”, lembra Paula.
A rotina é tranquila. O Gael e a Mia nem tanto.
Aliás, como qualquer criança da idade deles. Dois anos e meio de uma energia que não acaba. Dá até vontade de voltar a brincar.
Zileide Silva: quer bater um suco, um suco de tomate?
Mia: não é, é suco de melancia.
Zileide Silva: mas cadê a melancia?
Mia: cadê a melancia? Cadê?
Zileide Silva: vamos procurar pra ver se a gente acha uma melancia aqui.
Dificuldades, elas sabem que vão ter. Afinal, duas mães e gêmeos não se enquadram naquela família tradicional, clássica.
“É claro que a gente vai enfrentar um monte de coisas. Não dá para prever, tem que deixar acontecer. Mas eu faço terapia, Paulinha faz terapia, se eles precisarem vão fazer terapia também. E vamos enfrentar na medida que as coisas forem aparecendo, não dá agora pra pintar o monstro”, diz Mariana.
E não é mesmo um monstro, mas numa casa com três mulheres, como administrar o pipi do Gael?
“A gente conta com a ajuda de familiares e amigos, por questões básicas como desfraldar. Só o Gael tem pipi nessa casa. Ele não vê um homem fazendo pipi. Então vai como o vovô fazer pipi”, diz Paula.
“Na casa do meu pai, ‘vai Gael fazer xixi com o seu avô’. Vai pra ver como é, como não é, a coisa prática”, revela Mariana.
E essa não é a única preocupação. Hoje, oficialmente, legalmente, apenas a Mariana é mãe dos gêmeos. A Paula não é nada dos dois.
“Eu vou adotar as crianças, eu vou passar a ser a mãe deles, sem a Mariana perder o direito de ser mãe”, destaca Paula.
É a adoção unilateral.
“A gente acha importante pras crianças e pra gente, porque eu não sou considerada nada deles legalmente. Então eu não posso viajar com eles, não posso autorizar uma cirurgia, tirar do hospital. Eu não sou parente, pela lei. Sendo que eu que fiquei sem dormir, eu amamentei, a gente tem um trabalho, a gente tem um vinculo que é igual, então tem que ter direitos iguais. A gente tem que correr atrás disso porque agora a gente sente a necessidade”, afirma Paula.
A necessidade natural de ser tratada e respeitada como qualquer outra família.
Paula: Família é quem cuida. E aqui nessa família todo mundo se cuida.
Globo Repórter: E é uma família feliz?
Paula: É uma família muito feliz.
Fonte: Globo Repórter
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