A rotina de trabalho nos cartórios judiciais é uma das grandes responsáveis pela morosidade da Justiça nacional. O primeiro estudo sobre o tema foi feito pela Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e pelo Centro Brasileiro de Estudo e Pesquisas Judiciais (Cebepej), a pedido da Secretaria de Reforma do Judiciário, do Ministério da Justiça. Ele mostra que os processos permanecem nesses locais por 80% do tempo total de tramitação – no restante, estão nas mãos dos juízes ou dos advogados das partes.
Considerando todos os procedimentos previstos na legislação, um processo de rito ordinário – os mais complexos, como por exemplo, as ações indenizatórias por danos morais – deveria permanecer 209 dias nessas repartições. Na prática, ficam 872 dias. Segundo os pesquisadores, essa demora pode ser atribuída a uma combinação de fatores, entre eles o pequeno estímulo para concluir o trabalho e a falta de processos para garantir um fluxo mais rápido e ordenado das peças judiciais.
O levantamento foi feito em quatro cartórios no Estado de São Paulo, sendo dois no interior e dois na capital, envolvendo 92 funcionários. De acordo com o coordenador Paulo Eduardo Alves da Silva, professor da Faculdade de Direito da FGV, uma das conclusões do trabalho é que a falta de motivação profissional, somada à burocracia, práticas antiquadas e pouca informatização contribuem, e muito, para a morosidade da Justiça.
“Os cartórios precisam ser reorganizados. Em primeiro lugar, é necessário os servidores passarem a ser considerados pelos tribunais estaduais, legisladores e por eles próprios como atores do sistema Judiciário”, diz Alves da Silva. Segundo ele, vale lembrar que as últimas gestões do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) têm se esforçado para dar maior visibilidade à importância do trabalho dos cartórios.
Embora a informatização seja considerada um ponto-chave para dar celeridade aos procedimentos adotados e minimizar a questão da morosidade da Justiça, o professor da FGV diz que, antes disso, os servidores precisam ser treinados e capacitados, sob o risco de a burocracia sair do papel para o computador. “A falta de treinamento, na prática, impede que se explore o potencial da informatização”, explica.
A “cultura do papel” e a burocracia estão tão enraizadas nessas repartições que, segundo a pesquisa, 38% dos servidores apontaram a rotina de juntada, que consiste em adicionar os documentos aos autos, como a atividade mais importante. “Um procedimento burocrático foi considerado mais relevante que uma audiência”, completa.
Fonte: Diário do Comércio – SP
Posts relacionados
ARQUIVOS
- agosto 2025
- julho 2025
- junho 2025
- maio 2025
- abril 2025
- março 2025
- fevereiro 2025
- janeiro 2025
- dezembro 2024
- novembro 2024
- outubro 2024
- setembro 2024
- agosto 2024
- julho 2024
- junho 2024
- maio 2024
- abril 2024
- março 2024
- fevereiro 2024
- janeiro 2024
- dezembro 2023
- novembro 2023
- outubro 2023
- setembro 2023
- agosto 2023
- julho 2023
- junho 2023
- maio 2023
- abril 2023
- março 2023
- fevereiro 2023
- janeiro 2023
- dezembro 2022
- novembro 2022
- outubro 2022
- setembro 2022
- agosto 2022
- julho 2022
- junho 2022
- maio 2022
- abril 2022
- março 2022
- fevereiro 2022
- janeiro 2022
- dezembro 2021
- novembro 2021
- outubro 2021
- setembro 2021
- agosto 2021
- julho 2021
- junho 2021
- maio 2021
- abril 2021
- março 2021
- fevereiro 2021
- janeiro 2021
- dezembro 2020
- novembro 2020
- outubro 2020
- setembro 2020
- agosto 2020
- julho 2020
- junho 2020
- maio 2020
- abril 2020
- março 2020
- fevereiro 2020
- janeiro 2020
- dezembro 2019
- novembro 2019
- outubro 2019
- setembro 2019
- agosto 2019
- julho 2019
- junho 2019
- maio 2019
- abril 2019
- março 2019
- fevereiro 2019
- janeiro 2019
- dezembro 2018
- novembro 2018
- outubro 2018
- setembro 2018
- agosto 2018
- julho 2018
- junho 2018
- maio 2018
- abril 2018
- março 2018
- fevereiro 2018
- janeiro 2018
- dezembro 2017
- novembro 2017
- outubro 2017
- setembro 2017
- agosto 2017
- julho 2017
- junho 2017
- maio 2017
- abril 2017
- março 2017
- fevereiro 2017
- janeiro 2017
- dezembro 2016
- novembro 2016
- outubro 2016
- setembro 2016
- agosto 2016
- julho 2016
- junho 2016
- maio 2016
- abril 2016
- março 2016
- fevereiro 2016
- janeiro 2016
- dezembro 2015
- novembro 2015
- outubro 2015
- setembro 2015
- agosto 2015
- julho 2015
- junho 2015
- maio 2015
- abril 2015
- março 2015
- fevereiro 2015
- janeiro 2015
- dezembro 2014
- novembro 2014
- outubro 2014
- setembro 2014
- agosto 2014
- julho 2014
- junho 2014
- maio 2014
- abril 2014
- março 2014
- fevereiro 2014
- janeiro 2014